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sexta-feira, maio 26, 2006

Meu Saci e links: cultura


Ainda outro dia eu possuia um Saci, isso mesmo, um pequeno saci; esse bichinho traquinas que costuma dar nó em rabo de cavalo e esconder as ferramentas de trabalho, que é doido por um cachimbo e vive com um pano vermelho na cabeça nua de pelos; peguei-o quando ainda era um menino e ele apenas um filhote, eu estava de férias na casa de minha vó Alice (já falecida), no interior do estado, saíamos eu, meu irmão e alguns primos a andar pela mata já escassa que cercava a cidade (sinais do progresso chegando, mas que nunca veio realmente) e íamos a nos banhar no rio ou numa bica construída ainda nos tempo do Império para tal fim, a bica urbanizada, tinha duas divisões: a primeira era destinada as mulheres, que pelo que contavam minhas primas, tomavam banho vestidas de camisolão; e a outra dos homens, todos irremediavelmente nus. Era um lugar especial na cidade, os homens ali discutiam "a política" e traçavam seus planos para a cidade, das mulheres nunca soube sobre o que conversavam; hoje a velha bica não existe mais, ou melhor, existe, mas tornou-se um lugar de encontro de viciados em drogas e outros assemelhados. Mas voltando ao saci. Um dia voltávamos do rio e repentinamente ficamos perdidos sem que a trilha onde pássavamos sempre e a qual conhecíamos bem pudesse ser encontrada, após duas horas caminhando mata adentro sem encontrar um único ponto de referência, começamos a ficar desesperados e sentamos pensando no que fazer; foi quando lembrei das histórias que vó Rita contava, ela também já morara por aquelas matas e conhecia bem a região, lembrei que um dos primos "já tinha idade para fumar" e lhe perguntei se carregava algum fumo com, diante de sua afirmativa, peguei o pedaço de fumo e o coloquei em uma pedra redonda a sombra de uma pequena mangueira e gritei bem alto "pode vir buscar que seu presente está aqui" e logo em seguida caminhamos um pouco e eu pude avistar a trilha que o tempo todo estava bem ao nosso lado; um de meus primos espantado perguntou se fora o curupira, "deve ter sido" respondi e propus voltarmos para ver, eles se persignaram e disseram que iam esperar na trilha onde era mais seguro, voltei sozinho e lá o encontrei, não o curupira esperado, mas um pequeno saci, ainda filhote, estrebuchando-se no chão, eu havia feito um corte em forma de cruz no pedaço de fumo e o benzido, o saci inexperiente não havia persebido o logro e tentou mascar o fumo. Levei-o para casa e tratei dele as escondidas por anos, mas com o nascimento dos meus filhos passei a ter menos tempo para ele e resolvi soltá-lo de volta na mata, mas ele havia perdido os instintos e acabou voltando para cidade, me escreveu recentemente dizendo que está fazendo papel num programa de TV para crianças. Estou todo orgulhoso.

Mais sobre Sacis?

Associação Nacional de Criadores de Sacis


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A Jangada Brasil é uma revista eletrônica que pretende registrar e divulgar a cultura popular brasileira através do resgate de antigas brincadeiras infantis, cantigas de roda, provérbios e adivinhas entre outras formas de expressão. A revista conta com sessões dedicadas a downloads de letras e cifras de cantigas de tradição oral e infantis, resgatar velhas brincadeiras de criança, personagens miticos brasileiros, comidas, etc; sendo uma excelente referencia material para professores em busca de suportes para suas aulas. Todo o conteúdo do site é disponibilizado gratuitamente (o site se mantêm a base de doações de usuários) e é uma extraordinária maneira de valorização e difusão da cultura nacional.Visite obrigatoriamente.

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Cia Folclórica do rio de Janeiro

Projeto memória

Crearte Editora: inquérito sobre sacis

Agenda do samba e do chôro
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