Páginas

quarta-feira, maio 10, 2006

Intolerâncias II: Código da Vinci

clique no cartaz e vá para o site do filme

No próximo dia 19 de maio estréia o filme "o código da Vinci" baseado na obra homônima do escritor Dan Brown, cujo livro fez um enorme sucesso e deslanchou a carreira do autor, que apesar de saber entreter pode ser considerado no máximo um escritor mediano cujas tramas nos diversos livros (fortaleza digital, anjos e demônios e ponto de impacto) são cheias de mistérios e reviravoltas para prender o leitor mas sem muita diferença na estrutura dos roteiros: o vilão é sempre alguem insuspeito acima de tudo (mas se vc leu mais de um livro dele, já advinha quem é antes da metade do livro), há sempre códigos e símbolos para serem decifrados, o mocinho é alguem que mexe com isso e entra involuntariamente na trama e as motivações do vilão beiram o absurdo SEMPRE.
"O Código" é um bom livro apesar disso, mas ganhou espaço na mídia unicamente devido ao polêmico tema (que por sinal não é original, já tendo sido tratado por outros escritores e até cineastas com mais profundidade) e uma boa estratégia de marketing, não devido as qualidades do autor.
As "verdades" do Código não se sustentam ao menor escrutínio histórico e mesmo dialético, já tendo sido derrubadas por inúmeros outros livros que igualmente ganharam espaço na mídia aproveitando o tema (QUEBRANDO O CÓDIGO DA VINCI, em que o professor Darrell L. Bock desmente as principais acusações de Brown; REVELANDO O CÓDIGO DA VINCI, no qual o pesquisador Martin Lunn procura separar o que é verdade e o que é ficção no livro; e DECODIFICANDO DA VINCI, em que a inglesa Amy Welborn contraria seriamente o que está no livro de Brown). Apesar disso, algumas organizações vem promovendo protestos e até pregando boicotes ao filme, atitude que além de criar maior renda para o bolso do Sr Brown e dos estúdios Sony; segue também uma lógica distorcida e intolerante, como já disse antes: coisa de idiotas.
No Brasil um deputado (o SR SALVADOR ZIMBALDI -PSB/SP), vem querendo proibir a exibição do filme, alegando que este "agride a liberdade de crença" e "atenta contra fatos históricos que fazem parte da colonização do país" - Ora senhor deputado, vá procurar o que fazer - o que atenta contra a liberdade de crença é essa tentativa de não mostrar o pensamento e as crenças alheias só por que são contrárias as suas e, sinceramente, alegar atentado contra a história é uma hipocrisia - pergunte aos inúmeros índios, cristãos novos, mouros e outros perseguidos e mortos ao longo dos séculos por não aderir a fé cristã (apesar disso ser contrário a ela mesma) e veja o absurdo de tal proposição. O deputado (que deveria estar fazendo algo de produtivo, como defendendo a honestidade e a ética na Câmara) diz que está "cumprindo seu dever de deputado cristão" - Lembro apenas que o nosso País tem uma Constituição que assegura a liberdade religiosa e de crença e NÃO admite a intervenção da igreja (seja ela qual for) nas questões de Estado.
Um grupo que se diz católico (Fórum Social Católico) na Índia, chegou a convocar uma greve de fome e um dos seus membros ofereceu 25 mil dólares para que capturar Dan Brown "vivo ou morto" por atos anti-cristãos - atitude por sinal muito "católica" e nada cristã segundo o que aprendi de história e das aulas biblicas dominicais onde se ensinava o perdão e a tolerância.
Opinião sensata teve o Bispo Dom Geraldo Mangela (presidente da CNBB) para quem os cristão não devem ver o filme, pois, "ninguem é obrigado a ver nada" alertando aos católicos que queiram ir "que a igreja, de forma alguma, ocultou no passado, nem oculta no presente, a verdade sobre Jesus Cristo e sobre a origem dela própria. A igreja não pode deixar de afirmar o sagrado patrimônio das verdades a respeito de Jesus Cristo e sobre si mesma, que ela recebeu dos apóstolos" e ainda, "Não se pode atribuir verdade às afirmações claras ou veladas do autor. O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da igreja são os textos do Novo Testamento, da Bíblia. A história da igreja, depois dos apóstolos, está retratada em obras de caráter histórico, cujas afirmações são respaldadas pelo rigor do método histórico." Tendo recomendado ainda que aqueles interessados em conhecer a história da igreja leia um bom livro de História e "existem muitos".
Os produtores do filme rejeitaram o pedido da Opus Dei organização católica que realmente existe e que na obra, é a defensora do "segredo", pelo qual até chegam a cometer assassinatos na tentativa de mantê-lo assim; de incluir na abertura uma explicação de que tudo aquilo era resultado de uma obra de ficção (acho isso um atentado a capacidade mental das pessoas) - os produtores alegaram que o filme não é "história ou teologia" - A Opus Dei disse que não promoverá boicotes ou protestos violentos contra o filme.
clique na foto acima para ir ao site do autor
O filme tem Tom Hanks no papel do simboligista Robert Langdom e Audrey Tautou no papel da simbologista Sofhie Neveu. A história começa com Langdom sendo chamado a uma estranha cena de assassinato, a partir do que se desenrola uma trama fantástica na qual a igreja teria ocultado, ao longo dos séculos, um valioso e perigoso segredo: Jesus teria casado com Madalena e seus descendentes vivem hoje entre nós...
Revelando o "código": Abaixo links para alguns artigos que buscam desvendar o livro.
Site da OPUS DEI
Postar um comentário