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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

A descartabilidade que nos aprisiona

Vivemos o auge do descartável. O que antes tinha valor pela durabilidade do material, pela qualidade que apregoava garantir o produto por anos a fio se transformaram em item de desvalorização. A nossa sociedade parece viver numa sede tão alucinada por novidades, que aquele novo ícone de tecnologia com funções complexas e interessantes reduzidas num projeto que cabe na palma da mão e são acionadas com um único toque, se torna obsoleto em poucas semanas, sendo substituído por outro com artifícios ainda mais inovadores, no entanto, nem mesmo tivemos tempo de assimilar a tecnologia do anterior e assim vemos aparelhos celulares que tiram foto, gravam vídeos, trazem jogos, se conectam a internet e possuem design altamente diferenciado.
Não aprendemos a usar os recursos que o aparelho possui, na verdade apenas usamos “o basicão”, ainda assim o espírito materialista, a necessidade de adquirir o item mais moderno, o aparelho da moda, o TV de plasma, que logo será substituído pela high definition, que a seguir verá surgir a tecnologia holográfica. O DVD que substituiu o VHS e será jogado para escanteio pelo “Blue Ray” ou HDVD e assim vemos propagada a cultura do descartável e do inútil. Mas não trocar a TV LCD/Plasma a cada ano ou o celular a cada novo lançamento é se tornar um alien em meio aos humanos normais.
Não conseguimos ver que infelizmente essa atitude parece gerar mais males que benefícios; com a cultura do descartável os recursos do meio ambiente se esgotam mais rápidos, as relações entre as pessoas se desgastam com maior facilidade, os valores essenciais são menos duradouros e a vida de modo geral parece adquirir o mesmo valor de descartabilidade, crimes bárbaros são cometidos não mais para se esconder segredos escabrosos ou para angariar fortunas, ao contrário passam a ser cometidas por qualquer bobagem, um pisão de pé durante uma festa, um tênis "de marca", um sanduíche ou um celular...
Chegamos até a nos indignar quando vemos um menino sendo arrastado por marginais até a morte ou ônibus sendo queimados em praça pública e gritamos por alguns dias, mas depois, foi só mais uma vida descartável que vai ficando pelo caminho até que apareçam novos mártires e vamos culpando a todos, menos a nossa própria e má valorização daquilo que é vida.
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