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segunda-feira, julho 02, 2007

Indepêndencia ou morte!

O caboclo - símbolo da luta pela independência baiana

Estudando os livros de história muitas vezes temos a impressão de que a independência do Brasil se deu de forma pacífica e elegante, que tudo se resolveu com um grito de um regente montado em um lindo alazão e cercado de sua guarda pessoal impecávelmente vestida às margens de um bucólico rio. Nada mais distante da realidade, uma vez que D. Pedro, voltando de Santos havia parado às margens do Ipiranga para uma defecada básica (o coitado, glutão que era, estava com uma "constirpação no estômago") quando foi alcançado pelos mensageiros que traziam uma ordem real de Portugal, ordenando que ele voltasse à corte e mais duas cartas (uma de José Bonifácio e outra de D. Leopoldina), aconselhando-o a romper com a metrópole, indignado e sob a pressão da aristrocracia rural brasileira, D.Pedro arranca dos uniformes as fitas com as cores portuguesa e proclama a independencia do Brasil.
Mas a coisa não iria terminar por aí, uma vez que, como era de se esperar, os portugueses não iriam aceitar a perda da colônia tão facilmente, algumas da regiões brasileiras sofriam forte influência deste e foi preciso derramar bastante sangue para que tal proclamação se tornasse válida.
O 2 de Julho marca o desfecho de uma série de fatos que ajudaram a consolidar a luta pela indepêndencia nacional, recheada de histórias pitorescas de sacrifício e martírio que transformaram as ruas da Bahia em palco de diversas batalhas sangrenta; histórias como a da Soror Joana Angélica, assassinada por soldados portugueses na tentativa de evitar a invasão do convento da Soledade na busca de nacionalista brasileiros. Registre-se ainda a valentia de Maria Quitéria, camponesa do interior do estado que resolveu (apesar de noiva e contra a vontade paterna) alistar-se na forças da resistência, demonstrando bravura e destreza em combate, tendo se alistado sob o falso nome de Medeiros, ela cortara os cabelos à moda masculina, foi descoberta (pelo pai) apenas após duas semanas de luta, mas permaneceu combatendo com a proteção do avô de Castro Alves, que comandava o chamado "batalhão dos periquitos", assim apelidado devido aos punhos verdes usados nos uniformes. Quitéria chegou a ser condecorada após a guerra com a posição de alferes e a medalha de "Cavaleiro da ordem imperial", mas morreu esquecida e cega, não se conhecendo sequer a localização de onde estaria enterrada.

Maria Quitéria com seu uniforme de saiote

A história dessa luta é de uma riqueza ímpar com episódios marcantes como a batalha de pirajá, vencida de forma fantástica após a execução errônea de um toque de avançar ao invés de retirada, executado pelo cabo Lopes (um português que lutava ao lado das tropas brasileiras) e que, ao cometer tal erro fez os portugueses que estavam ganhando a batalha, pensarem que os brasileiros haviam recebido reforços; cansados da batalha que já durava horas e confusos com o avançar das tropas brasileiras que voltavam à carga, fugiram assustados, sendo perseguidos e finalmente derrotados.
Como se vê a história é muito mais rica do que nos fazem pensar os instrumentos educacionais e midiáticos, que retratam bem e até glorificam excessivamente os fatos ocorridos no sul do país, mas esquecem desrespeitosamente de acontecimentos tão ou mais importantes e que dariam excelentes temas de filmes, séries e documentários que só enriqueceriam a mitologia nacional e o sentimento de amor pátrio que anda sumido de nossas casas. Se tem algo que poderíamos aprender com os norte-americanos seria isso, lá eles glorificam até mesmo os menores fatos de sua história e assim criam uma identidade cultural tão forte que influencia até mesmo os povos que os odeiam.

Para ler mais: 2 de julho - O corneteiro que ganhou a guerra - Maria Quitéria -
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