Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 11, 2013

Negros também são estereotipados nas HQs


Reco-reco, Bolão e Azeitona de Luis Sá

Existe estereotipização na forma como os negros são retratados nas histórias em quadrinhos (HQ) brasileiras. Segundo pesquisa realizada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o fato pode ser observado desde o século 19. O pesquisador e professor Nobuyoshi Chinen avaliou em seu estudo de doutorado histórias em quadrinhos publicadas no Brasil desde 1869, considerando como publicação inicial o título “Nhô Quim”, de Angelo Agostini, até publicações de 2011. “Historicamente, as representações seguiam um padrão comum e exagerado”, afirma. “Elas tendiam a homogeneizar o aspecto visual dos personagens”, diz Chinen.

Os estereótipos foram identificados não só nos aspectos visuais, mas também nos papéis desempenhados nas histórias, em comparação com os personagens brancos. “Invariavelmente [os negros] eram subalternos, intelectualmente limitados e socialmente desfavorecidos” conta. O pesquisador diz que a origem dessa forma de representar vem dos minstrels americanos, artistas brancos que, para se apresentar como negros, pintavam o rosto com tinta preta, entre outras caracterizações exageradas.

Chinen alega que percebeu ser impossível quantificar quantos personagens negros havia em todas as publicações brasileiras de quadrinhos, e que isso também não seria representativo. “Eu havia partido de uma premissa equivocada de que um produto de cultura de massa deveria refletir proporcionalmente a sociedade. Mas isso não ocorre necessariamente. Em termos proporcionais, certamente, há muito mais detetives nos quadrinhos do que na vida real” esclarece.

Chinen também procurou outros tipos de publicações para avaliar o papel dos negros nos quadrinhos. “Achei que devia dar um contexto mais amplo e me preocupei em incluir um breve histórico da iconografia do negro nas artes visuais, desde a primeira pintura a representar um negro no Brasil, em tela feita pelo holandês Frans Post, até as caricaturas e charges do Período Imperial.” Segundo o pesquisador, também foi difícil abranger toda a criação brasileira de HQ. “Não existe um acervo completo de tudo o que foi lançado em quadrinhos no país e as coleções que mais se aproximam disso pertencem a particulares, o que dificulta o acesso.”

Poucos personagens

 
Pelezinho - personagem de Mauricio de Souza
Ainda assim, Chinen encontrou mais personagens negros do que inicialmente esperado. A representação, no entanto, não é, ainda, ideal. “Embora o panorama geral tenha mudado de uns tempos para cá, penso que ainda há poucos personagens negros nos quadrinhos brasileiros e menos ainda os que têm papel de protagonista” diz.

As HQ têm como algumas de suas bases a caricatura e o humor. Isso, em algumas vezes, se dá com o reforço de traços exagerados e com generalizações. Para Chinen,  “o perigo dos estereótipos é quando o público passa a achar que determinado tipo de figuração é normal, quando na verdade é ofensiva. É da natureza do humor construir situações que requerem uma dose de crueldade perpetrada sobre o outro e o limite entre o fazer rir e o humilhar é extremamente sutil”.

A representação equivocada de negros nas HQ, para o pesquisador, auxilia, como todo produto de comunicação em massa, a perpetuação de preconceitos. O professor acredita que trabalhos como o seu ajudam a debater o racismo presente nas representações do negro na sociedade. “A princípio eu tentei evitar uma abordagem que fugisse do âmbito das histórias em quadrinhos, mas no decorrer da pesquisa, compreendi que não dava para ignorar os aspectos sociopolíticos e a questão da identidade.”

Entre as HQ que Chinen destaca, estão séries criadas pelo cartunista Mauricio Pestana, sobre a participação negra em revoltas brasileiras, além dos personagens Luana, criada por Aroldo Macedo, e Aú, O Capoerista, criado por Flávio Luiz. A pesquisa, iniciada em 2008, inicialmente como um mestrado, foi orientada pelo professor Waldomiro de Castro Santos Vergueiro e encerrada em 2013. Chinen faz parte do Observatório de Quadrinhos da ECA.


Isso não ocorre apenas no Brasil, essa representatividade distorcida é comum nas HQs estrangeiras também, embora existam alguns personagens negros, são quase sempre coadjuvantes de outros personagens brancos - o SPAWN é uma honrosa exceção - existem outros que ganharam popularidade (PANTERA NEGRA, TEMPESTADE), e até títulos próprios, mas em sua maioria são mesmo personagens de apoio. Hollywood teve que se render a uma boa safra de atores negros e os fez protagonizar bons filmes (a maioria de ação ou thrillers diversos), mas ainda assim fruto de muita luta desses últimos, no Brasil a nossa global televisão insiste em fechar os olhos para realidade e prefere tornar outras "minorias" mais representativas, negros protagonistas, bons religiosos, casais comuns, são produto fora de moda. Não dão ibope, nem dindin.

domingo, julho 14, 2013

Manifestações vandalismo e cegueira intelectual?



É engraçado como algumas pessoas, ditas intelectuais, pensadores, revolucionários, não vêm a própria cegueira ao militar em nome de uma pseudo causa democrática (ou utopicamente anárquica), em que para criticar o dito “sistema” escolhem qualquer absurdo em nome dessa crítica. Durante o último mês, uma série de manifestações justas e necessárias se alastrou pelo País, o gigante adormecido acordou e foi às ruas em busca de expressão, no entanto, como ocorre em toda aglomeração de pessoas (ordenadas ou não), sempre há aqueles cuja motivação é dissonante da maioria, então não é exatamente surpresa que inúmeros personagens nesses episódios tenham apelado para a violência e o vandalismo. Claro, houve em consequência, inúmeros embates com as forças policiais pelo País afora na tentativa de restaurar alguma ordem e, embora aqueles dissidentes da maioria tenham ido às ruas armados do mais puro espírito belicista, foram, as forças policiais, declaradas culpadas pela “repressão”; note-se que tais embates começavam quase sempre nos finais das manifestações, quando grupos se desgarravam da maioria e iniciavam ações condenáveis e muitas vezes criminosas, só não vistas assim pelos tais eternos críticos, que (surpresa!) culpavam pelo conflito iniciado à polícia, que teria infiltrado agentes repressivos para criar a baderna e assim, minar a força do movimento, teoria no mínimo questionável, mas aceita como inconteste pelos senhores críticos de plantão. Claro que as Polícias têm agentes de inteligência no meio da multidão, são eles que fornecem informações para orientar as ações dos comandantes, como intenções dos manifestantes (pacíficas ou não), suas linhas de ação, planos, reivindicações, etc. Tudo feito de maneira legal, lógica e legítima (ou vocês acham que os líderes das manifestações também não têm pessoas com acesso à informação no lado oposto?). Durante o dia nacional de mobilização (organizado por diversos sindicatos), novamente o gigante, antes letárgico, foi às ruas gritando por independência e outras causas justas, novamente vândalos e baderneiros, criminosos e arruaceiros foram ao embate munidos de rojões (que atiravam contra policiais acuados), bombas e coquetéis molotov; alguns foram denunciados e presos, mas vejo agora nas redes sociais, esses mesmo pseudo pensadores tentando defender a atitude de tais criminosos, afirmando que ela é legítima e é culpa dos já batidos  “agentes da repressão”, chegam ao ponto de comparar os cidadãos (estes sim querendo uma manifestação pacífica), a “X-9 puxa-sacos  querendo aparecer na TV”, não percebem o absurdo do que dizem e se contradizem ao mesmo tempo quando logo depois tentam empurrar o discurso do pacifismo  reprimido pelas forças policiais; como diria vovó, faça-me uma garapa! A verdade é que esses senhores não tem noção da realidade, vivem uma eterna fantasia anárquica, descabida de qualquer realidade, acham que todos deveriam adotar seus estilos de vida alternativa, que a solução para o planeta é voltar aos tempos das cavernas, abolir a tecnologia, abolir a política, exterminar qualquer tipo de organização policial e deixar que as pessoas governem a si próprias, sem regras preestabelecidas, sem leis, sem governo; esquecem que mesmo nas comunidades onde se tentou viver o anarquismo, existiam regras, condições para exercer o tal livre arbítrio, para viver sem autoridade e, mesmo lá existia algum tipo de organismo fiscal para “orientar” os que fugissem a tais condições. Uma amiga minha, falando sobre a repressão policial nas manifestações, ironizou dizendo que “spray de pimenta e bala de borracha não doem nadinha, né?”, eles doem sim, são instrumentos de dispersão que causam incômodos e podem realmente ferir (raríssimas vezes até com gravidade), mas são equipamentos legais, utilizados por pessoas profissionais e em segurança; já os tais rojões e coquetéis molotov são armas que utilizadas contra pessoas podem matar, causar incêndios, ferir gravemente pessoas. Esses têm sido os instrumentos defendidos por esses senhores do contra, saudosistas de uma tal revolução que não aconteceu em lugar algum do globo. Eles continuarão se contradizendo, alegando ser pacifistas e incentivando o vandalismo, gritando por democracia e condenando suas conquistas, pedindo liberdade e se aprisionando cada vez mais em sua discriminação.

sexta-feira, abril 04, 2008

Martin Luther King - 40 anos de ausência


Hoje faz 40 anos que o pastor norte americano e prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King, foi assasinado a tiros na sacada de um motel no qual estava para dar apoio a uma manifestação. Um dos principais líderes do movimento em favor dos direitos civis americanos, King foi também um pacifista que defendia a resistência não violenta contra a opressão racial, tendo ganhado notoriedade após organizar (em 1955) o boicote, pelos negros, ao serviço de transporte público na cidade de Montgomery que, apesar de pagar o mesmo valor das passagens, eram obrigados a viajar em pé cedendo o lugar para os brancos. A prisão de uma negra chamada Rosa Parks, que havia se recusado a ceder o lugar a uma mulher branca, desencadeou o boicote, que só terminou quando a Suprema Corte determinou o fim da segregação no transporte público americano.


King foi um dos organizadores da marcha ao Lincoln Memorial em Washington em 1963 reunindo cerca de 250 mil pessoas, onde proferiu seu mais importante e conhecido discurso - I have a dream - (cujo teor você confere abaixo). King receberia o prêmio Nobel da Paz em 1964. No dia 04 de abril de 1968, foi assasinado a tiros por um homem branco que havia fugido da prisão.



EU TENHO UM SONHO

Martin Luther King (28/08/1963)



"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes". Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só. E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?" Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza. Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero. Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta. Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado. "Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!" E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade. E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:"Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."