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terça-feira, setembro 16, 2014

A eterna estupidez no trânsito





Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado todos os mortos nas estradas...” Os versos acima são de “Perfeição”, música da Legião urbana e estão no início deste artigo pra que reflitamos o quão estúpida ainda é nossa postura no trânsito diário de nossas confusas ruas, cheias de engarrafamentos por nada, de motoristas que parecem estar numa pista de Fórmula um, onde as pessoas agem como se fossem imunes a qualquer possibilidade de se envolverem ou causarem acidentes, muitas vezes com vítimas fatais e que nem sempre são inocentes também.

Basta sair às ruas pra ver toda sorte de absurdos: É proibido e perigosíssimo dirigir falando ao celular, mas essa é uma das infrações mais comuns de nosso tempo (as mulheres são campeãs absolutas nesse tipo de infração, infelizmente), em que não se pode andar desconectado. E se é um absurdo que um motorista tire a atenção do tráfego para atender ao celular, que dizer de motociclistas que digitam mensagens enquanto pilotam?

Já vi de tudo nesse trânsito louco, contando dá até pra duvidar, mas tudo verdade: mulheres fazendo as unhas enquanto dirigem, homens penteando a cabeleira a 120 por hora numa BR, motociclistas andando lado a lado conversando animadamente, mulheres se maquiando, gente tirando pelos do nariz. Hoje vi um motorista de ambulância conduzindo de forma perigosa enquanto assistia televisão (uma tela de LED bem acima do volante), um olho no sinal, outro na novela.

A imprudência e a falta de educação para e com o trânsito, causam sérios prejuízos financeiros e de saúde. O número de mortes e incapacitações devido a acidentes de trânsito é absurdo. Só de indenizações do DPVAT em 2013 tivemos registradas 54.800 mortes e mais 444.000 pessoas inválidas no Brasil; e sabemos que esses números são bem maiores, pois boa parte dos envolvidos acaba não dando entrada no seguro.

Quando se fala em câncer as pessoas se benzem, batem na madeira e rezam pra que essa doença nunca nos apareça, se houvesse uma vacina que a prevenisse iríamos todos em busca dela. Mais morremos muito mais no trânsito e ainda assim arriscamos sair por aí sem usar os cintos de segurança ou após uma bebedeira. E ainda tem aqueles que dizem que “dirigem melhor quando estão bebendo” mesmo que todas as pesquisas digam que basta um copo para diminuir nossos reflexos e consequentemente nossa atenção ao dirigir.

Até quando “vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso nosso descaso por educação (...) o horror de tudo isso - com festa, velório e caixão”? – Até quando vamos permitir que acidentes tirem vidas por pura negligência, por falta de atenção a pequenas regras? Será tão difícil deixar pra atender ao celular quando chegarmos a nosso destino? Será que o mundo anda tão apressado que não pode esperar?



A cada dia vemos nas TVs exemplos terríveis de imprudência, de mortes inexplicáveis e desnecessárias; mortes que poderiam ser evitadas com o respeito às regras de trânsito e ao direito do próximo. Enquanto países como a Alemanha diminuíram as mortes no trânsito cerca de 80% nos últimos 40 anos, dados do Mapa da violência publicado agora em 2014 mostram que no Brasil as mortes aumentaram 38,3% num período de 10 anos.

Essa falta de respeito às leis que regem o trânsito brasileiro conjugada com a baixa qualidade dos nossos motoristas, muitos deles conduzindo sem carteira de habilitação nos coloca em 1º lugar no número de mortes relacionadas ao trânsito (se considerarmos os índices do DPVAT), sendo que boa parte ocorre envolvendo motociclistas ou motoristas que dirigem acima da velocidade permitida e aqueles que dirigem alcoolizados.

Mudar nossa postura diante do trânsito pode ajudar bastante na diminuição desses índices, precisamos nos conscientizar que nas ruas e estradas todos somos responsáveis pelas vidas de todos; a imprudência não afeta apenas nosso veículo, ela pode levar a acidentes muito sérios e fatais, temos que aprender a dirigir respeitando a vida: A nossa e dos outros que trafegam ao nosso lado. Só assim para parar de “celebrar a estupidez humana”.

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