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quinta-feira, maio 16, 2013

O CAOS DA MOBILIDADE URBANA

Um dos principais problemas enfrentados hoje nos grandes centros é, sem dúvida, como resolver o problema da circulação de pessoas, veículos e cargas. Essa questão envolve não somente investimentos na melhoria da infra-estrutura viária, mas também na conscientização de pedestres e motoristas e vai muito além de realização de novas obras ou campanhas educativas. Há alguns anos o então prefeito de Salvador, João Henrique, foi criticado de forma enfática por uma declaração sua em que dizia que as montadoras deveriam ter licença da prefeitura para cada carro vendido, pois a cidade não suportava o número cada vez maior de veículos que eram despejados mensalmente nas ruas; a idéia que causou repulsa aos senhores do lucro e aos setores desenvolvimentistas, já não me parece tão absurda quanto parecia à época; o que vemos hoje pelas ruas, ruelas e avenidas é uma disputa de veículos por espaço que simplesmente desafia o bom senso e qualquer tipo de ordenamento. Quem anda pela periferia ou centro da cidade vê a dificuldade de vagas para estacionar em ruas que não foram projetadas para conter tantos veículos, pois cresceram de acordo com a necessidade da população, sem planejamento urbano ou plano diretor. As vagas são milimetricamente estabelecidas, respeitando-se apenas o quem chega primeiro, nas ruas principais é comum ver veículos e pedestres disputando espaço com ambulantes que invadem a via com seus produtos contrabandeados da china, roupas, frutas e até serviços (mecânicos, manicure, amoladores faca, entre alguns outros), “engarguelando” ainda mais o trânsito e contribuindo para os congestionamentos. Quem passa pelas nossas ruas tem a impressão de viver num verdadeiro caos em que muito pouco se respeitam ou se conhecem as leis que regem o trânsito, vemos motoristas cometendo absurdos que ultrapassam qualquer limite de irresponsabilidade, pedestres que simplesmente desconhecem fazer parte de um sistema onde devem respeitar também algumas regras e vias que quase sempre inviabilizam esse sistema. Em Salvador, qualquer chuvisco transforma a cidade numa pista de “Off Road” ou num campo de guerra recém bombardeado, vai depender do humor do motorista; são buracos e mais buracos, geralmente escondidos pelos rios que se formam em nossas avenidas; lama, lixo e ladeiras fazendo uma combinação tão fantástica quanto navegar pelas corredeiras do alto Xingu. Aliás, navegar muitas vezes é o termo mais apropriado para descrever o que se vê em Salvador em dias de chuva. A falácia do metrô, já apelidado de “minhoquinha” por alguns, vez que leva “nada” a “lugar algum” em seus míseros 06 quilômetros, que em nada resolvem a mobilidade da população, demonstram bem o quanto estamos atrasados e o quanto a discussão sobre o transito deveria estar vigorando em nosso dia a dia com palestras em escolas, aulas de trânsito, campanhas sérias e prolongadas nos meios de comunicação, fiscalização efetiva, etc. Assim quem sabe, quem sabe, poderíamos deixar de ver absurdos como esses vistos por mim em apenas um dia: 1- veículo em plena BR, à minha frente, indo de um lado para o outro, freio achando que o motorista talvez tenha adormecido, mas ao me aproximar percebo que ele simplesmente está tentando pentear os cabelos enquanto dirige; 2 – veículo na chegada de Salvador se aproxima rápida e perigosamente, olho pelo retrovisor e vejo o motorista pingando colírio nos olhos enquanto dirige; 3 – homem chupa melancia enquanto dirige e ao acabar, sem se preocupar com os veículos que vem atrás ou os pedestres na via, simplesmente atira a casca pela janela, assustando uma senhora que vem logo atrás e tenta desviar do objeto que voa a seu encontro, quase causando um acidente; 4 – transito engarrafado numa grande avenida, o motivo? – dividindo espaço na rua com ambulantes, pedestres, anúncios de lojas e carros estacionados, um senhor resolve parar em fila dupla enquanto tenta encaixar, no fundo do carro, um fogão que acaba de comprar na liquidação de uma grande loja. Aliás, essa loja fez recentemente uma campanha publicitária exposta em outdoors nas principais vias e até na rodovia, na qual se lia (contra todo bom senso e responsabilidade), em letras garrafais: CORRA!



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