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quarta-feira, novembro 21, 2007

Brasil - maluquices

No meio do caos em que vivemos, com a insegurança rondando diariamente as nossas mentes e transformando figuras fictícias-reais em heróis da guerra urbana (vide o sucesso do Capitão Nascimento), quando deveriam servir para denunciar o desprezo dado ao longo de nossa história à segurança da população, não é de se espantar que surjam inúmeras propostas esdrúxulas e totalmente inócuas travestidas de solução.

Uma dessas proposta é a do Senador Pompeo de Matos (PDT-RS). Uma transloucada tentativa de facilitar o acesso de armas à população; alega o senador que a atual legislação, somente contribui para a ilegalidade do porte e para o descontrole da quantidade de armas existentes no país. Bem, controle nunca houve mesmo, sequer sabemos as diversas rotas de entrada da armas de fogo no Brasil ou mesmo controlar a venda ilegal de armas apreendidas por policiais ou roubados de quartéis. Não temos um patrulhamento efetivo das nossas fronteiras, seja marítima, aérea ou física, pois nossas Forças Armadas estão a deriva dos investimentos. Fruto de uma visão errônea de que somos um País vivendo pacificamente e sem inimigos - Esquecem os traficantes que invadem nossas fronteiras, dos contrabandistas, dos interesses internacionais em nossas riquezas (já disseram que querem nossa Amazônia - e isso não foi considerado ato de intenção hostil a longo prazo???). Esquecem que a defesa pátria não ocorre apenas em tempos de guerra e que as forças armadas devem estar fortalecidas para assegurar a soberania - o senhor Chaves sabe muito bem disso - e proteger os cidadãos.

Voltando à proposta do senador, liberar mais armas legalmente (diminuindo as exigências e permitindo a mais pessoas poderem adquiri-las) não vai causar nenhuma diminuição da violência, antes disso, causará um implemento dessa violência; concordo que o alto custo de legalizar uma arma (somente para efeitos de registro já que o porte civil acabou, salvo algumas exceções) acaba levando muitas pessoas à clandestinidade, baratear esse custo daria condições de melhor controle para o governo, mas não são essas as armas responsáveis pela violências na ruas.

Querem propostas sérias de combate à violência? Então comecem a discutir mais investimentos na preparação e reciclagem dos policiais, combate à corrupção nos diversos setores do governo, criação de mecanismos eficazes de controle da venda de bebida alcoólica, criação de clínicas públicas para tratamento de drogados e alcoólatras, maior fiscalização e punição severa para motoristas bêbados, proibição da venda de bebidas em determinados locais e horários (o que, aliás, já demonstrou ser um fator preponderante na diminuição da violência em algumas cidades onde foi implementada), investimentos sociais na favelas, mudanças no estatuto da criança e do adolescente, diminuição dos privilégios políticos, redução dos recursos possíveis na esfera judiciária, criação de um regime penitenciário mais severo e mais humano (onde o preso fosse tratado com dignidade, mas sob um regime disciplinar austero e sem privilégios individuais - afinal disciplina não "desumaniza" ninguém), que possibilitasse a reeducação do preso (onde ele seria obrigado a estudar e trabalhar - preso não pode ter os mesmos direitos de quem sempre seguiu a lei, claro que ele deve ser tratado com respeito, mas isso não quer dizer que ele deva ser tratado com condescendência).

Se os nossos políticos um dia pararem de olhar o próprio umbigo e começarem a pensar no que é melhor para a população, ouvi-la e se dedicarem a causa pública, aí começaremos a ter o Brasil que todos sonhamos.
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