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terça-feira, setembro 18, 2007

Tropa de elite e considerações sobre violência

Policiais do BOPE entraram com uma ação na justiça solicitando a proibição da exibição do filme "Tropa de elite"; alegaram que a película denegria a imagem do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, não obtiveram sucesso. A juíza, acertadamente, alegou em sua decisão que o filme não apresenta nada que corrobore o argumento, antes, o filme expõe as mazelas de um sistema que está corrompido e não funciona eficazmente já há muito tempo.
A cópia pirata do filme, que circula livremente por bancas de camelôs, mostra uma realidade nua e crua que a população e os governantes continuam preferindo ignorar: Vivemos uma guerra. E numa guerra a frágil linha que separa legalidade de eficácia, é quebrada diariamente pra que as pessoas possam ter um mínimo de sensação de segurança. Não, não aquela sensação de segurança que deveríamos ter para andar livremente num país onde a democracia está instalada, mas aquela de quem vive numa zona de guerra, entre um confronto e outro; aquela segurança de poder dormir com os sentidos em alerta, prontos para reagir quando surgir uma explosão.
O personagem de Wagner Moura (por sinal, excelente no papel do capitão que sabe ter uma missão a cumprir e tem a consciência da necessidade dos limites que podem ser ultrapassados e que também sofre por isso) diz, em determinado momento, "é ingênuo pensar que os policiais vão para guerra e que não vai haver confrontos". A guerra é isso: Confrontos iminentes, onde pessoas morrem, sejam inocentes ou não, sejam pais de família ou traficantes, bandidos ou mocinhos.
Vivemos um momento triste em que o tráfico cada dia mais toma espaço em nossas vidas e nós apenas nos acomodamos, diante de um fato trágico ouvimos aqueles que deveriam ser nossos representantes, dizerem "que não é o momento para discutirmos isso, pois estamos sob o calor da emoção...". Então quando será esse momento?
Alegam que não podemos punir aqueles que infringem a lei, se eles são menores. Mas por que não podemos? - "Ah!Mas existem as medidas sócio-educativas e se o estatuto fosse aplicado...". Mas é essa a questão? Não punir os jovens simplesmente porque são menores de 18 anos? O que diferencia um jovem de 18 anos de outro de 16? Sinceramente não sei. Será que a maioridade tem o efeito de uma varinha mágica que torna o jovem plenamente capaz de "entender e responder por seus atos"?
Alegam que os presos devem ser tratados com direitos humanos. Mas vemos que aqui os direitos humanos se confundem com permissividades. As visitas ocorrem num clima de total descontrole, em que famílias inteiras invadem pátios e celas com sacolas, bolsas e drogas, facilitando ainda a tomada de reféns no caso de uma rebelião. Crianças não deveriam ter acesso a cadeia, presos não deveriam ter todo tipo de aparelho eletrônico em suas celas, as visitas íntimas só deveriam ocorrer entre casados (antes da prisão, nada de casamento dentro das grades) e em ambiente controlado, as celas deveriam ser individuais e espartanas, os presos deveriam trabalhar para garantir seu sustento e se reabilitarem verdadeiramente. Mas, aqui, como já disse, TUDO é atentatório contra os direitos humanos. Até habeas-corpus preventivo nós inventamos...
O Cacciola foi preso em Mônaco e vai ficar numa cela apenas com o básico, sem TV, sem rádinho de pilha, sem visita íntima... Aqui? Aqui ele levariam uma televisão de 42 polegadas, com sinal de satélite por cara não ficar entediado... Nos Estados Unidos, os presos são algemados "mãos e pés", aqui se usam um par de algemas é ostentação e arbitrariedade policial.
Enquanto isso, policiais se corrompem, Deputados e Senadores ganham aposentadorias milionárias, mesmo se envolvidos em escândalos de improbidade, e juízas são promovidas, apesar de estarem envolvidas com traficantes...

Clique AQUI para baixar uma versão em pdf do livro que originou o filme.
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