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segunda-feira, março 23, 2026

KIKOSOFIA - FEVEREIRO E MARÇO 2026

 



A Kikosofia é uma revista de divulgação cultural e reflexões políticas e filosóficas. Esse número traz como destaques os artigos: Liderança de aparências; Democracia, o que é; A mulher de César, uma lição; Ícones da cultura pop: Chaves; o conto "O beijo da morte" e ainda poesias, dicas de quadrinhos, livros e filmes.


segunda-feira, janeiro 05, 2026

Nosso simples e fabuloso dia a dia - Resenha HQ

 



O Combate Cotidiano - Manu Lacernet - Editora Pipoca e Nanquim - 252 páginas

★★★★☆


"Marco, um jovem fotógrafo de guerra que, cansado de registrar horrores, decide dar um tempo no trabalho e, na companhia de seu gato  troca a cidade grande pelo campo, com o intuito de fazer as pazes consigo mesmo e com o mundo." A sinopse de "O combate cotidiano" nem de longe reflete a profundidade desse quadrinho, cuja reflexões sobre a vida e as inúmeras conexões voluntárias ou não que fazemos ao longo dela, as perdas que sofremos, esperadas ou não, as crises de ansiedade que afetam a tantos de nós devido a mudança para as quais não nos preparamos, mas com as quais temos que lidar, seja por causa de um encontro casual que nos faz entrar numa jornada romântica cujo rumo é sempre incerto, ou pela inseguranças que a quebra de uma rotina, quando esta deixa de fazer sentido, mas ainda assim nos faz falta. Lacernet nos transporta com uma sensibilidade incrível para uma história absurdamente comum e, justamente por isso, tão extraordinária. Temos medo de crescer e assumir responsabilidades, tememos as sombras de nossos passados e nos sentimos extremamente traídos quando descobrimos que nem sempre nossas lembranças e a lembrança (ou o passado) de quem amamos é tão desconhecido quanto possível e que sempre há esqueletos nos armários e parte de quem somos que não gostaríamos de ter herdado. O medo é uma constante aqui, assim como a ansiedade, mas tratados de uma forma leve, reflexiva e que nos leva a entender muito de quem somos, mesmo em culturas tão distantes geograficamente, mas tão próximas humanamente. Há reflexões duras aqui, ditas em inúmeras falas de personagens, que nos causam aquele incomodo pensamento de "poxa isso é tão familiar". MAS, não quer dizer que a história é pesada ou sombria, NÃO! O humor, reforçado pelo traço cartunesco, é o elemento condutor da história e vamos vendo ser destiladas ideias que nos alegram, preocupam, entristecem e nos dão esperança. Assim é a vida, composta por dores, perdas, lutos, decepções, alegrias, surpresas, redenção, ciclos intermináveis de mudanças que fazem nosso cotidiano ser a aventura incomum e maravilhosa que é.

P.S - A representação gráfica das crises de pânico do protagonista são uma das coisas mais emblemáticas que já vi em um quadrinho e até mesmo em outros tipos de expressão artística.  Desenvolvi ansiedade há alguns anos e já passei por algumas dessas crises e me vi perfeitamente nestes momentos.

P.S 2 - Há algumas reflexões políticas e comportamentais (sociais) ao longo da obra, mostradas as vezes de formas sutis, mas em determinados capítulos se integrando perfeitamente ao roteiro, valores de certos personagens que expressam visões diferentes de mundo, mas sem proselitismo ou catequização, como diz um deles em determinado momento: "A gente aceita a ilusão da luta porque está na moda, isso nos faz 'cidadãos'...Mas são lutas convenientes, que nos permitem voltar para casa pontualmente às oito da noite. (...) Nós não votamos num modelo de sociedade, mas na reflexão mais tranquilizadora da mídia... ou pior, por tradição familiar!" e, sim há uma certa desesperança cínica aqui.


Por Kiko Moreira

quinta-feira, setembro 25, 2025

KIKOSOFIA 35 - SETEMBRO DE 2025

 


Esse mês marca a inserção da nossa revista no ISSN e falamos um pouco sobre Soberania, intolerância e extremismo, empatia e respeito, que deveriam moldar o multiverso formado pela humanidade, aproveitamos e fazemos uma reflexão sobre o mito da caverna e seu significado em tempos atuais. Trazemos mais um conto de Lygia Fagundes Telles e dicas de cinema, quadrinhos e livros para divertir, refletir e viver o mundo a nossa volta. 

LEIA AQUI ou AQUI

terça-feira, abril 18, 2023

O DIABO NÃO CRIA, ELE GANHA.

 por Estrategista do silêncio




Apesar de algumas pessoas não reconhecerem a existência de Deus ou do diabo, o fato é que energias que circulam na sociedade são a eles atribuídas, seja em verborreias, em discursos mais formais ou em bate-papos nas rodas de amigos. O que sabemos ao certo é que quando o nome do Criador vem na frente, uma estrada de paz, saúde e progresso se perfaz, ao contrário daquele outro, que espalha divisão, ódio, regresso e prisão.

Essa divisão criada e bem definida é o que se observa no Brasil de 2023, onde pessoas escolhem lados bem claros, onde uns seguem e enaltecem valores cristãos, defendendo a necessidade de permitir que o esforço seja a mola mestra do sucesso das pessoas, enquanto outros preferem a energia mais densa, apaixonada e ansiosa por benefícios que sobem do inferno, de forma calorosa e risonha, a esculhambar, desmerecer e destruir "méritos honestos'.


Da forma que está, creio que negar a existência de Deus e do diabo estaja cada vez mais difícil, pois eles estão à mostra de forma muito mais evidente neste século. As "entidades" não querem mais transitar apenas nos céus e nos infernos, buscam a nós a todo instante, como forma de fortalecer seus exércitos e assim conquistar. A grande diferença é que para aqueles que escolhem Deus como referência, dobrar os joelhos ao chão, pedir proteção e rumar em busca dos resultados é merito que engrandece e fortalece, adubando o terreno para que a vida frondosa, produtiva e justa se firme. Trabalhar, estudar, suar, tentar, perder, cair, se levantar e tentar de novo, pois é assim que se aprende. Mas para quem opta por sentar-se ao lado do "cão", o tesão é outro, é criticar que o outro não tenha tanto e não lhe critique por ter, é fomentar a divisão acelerada de tudo que for valor, pois assim esses avermelhados se percebem mais forte, em condições de subjulgar os demais sem dó e nem piedade. Ajudam o diabo, apoiam o diabo, mas não querem deitar em sua cama e nem beber de seu vinho. É uma loucura que somente o tempo poderá explicar.


Pois é assim que vamos seguindo, os que trabalham chorando e os que mamam sorrindo. Uns tapando buracos e tentando manter-se em pé e outros cavando sepulcros debaixo de seus próprios pés, como se na derrocada eles também não sejam sugados ao quintos dos infernos. Apenas no fim da história, os malditos verão que no primeiro grito, o Deus lhe dará a mão, enquanto o cão corre em busca de uma nova oportunidade, que sempre lhe chega de graça, ao custo da desgraça de todos.


sábado, abril 15, 2023

Ataques em escolas, iniciando uma reflexão.

 por Francisco Moreira


Os recentes ataques em escolas no Brasil, bem como algumas tentativas desarticuladas e a disseminação em massa de conteúdos alarmistas nas redes sociais tem causado uma onda de preocupação e apreensão de pais, professores, alunos e autoridades. Diante do problema, que é real e afeta a toda população começam a surgir, de um lado a apropriação política dos ataques, visando criticar essa ou aquela politica desse ou daquele governo; por outro, soluções mirabolantes ou apressadas baseadas em puro achismo e na emergência de dar uma resposta, política principalmente.

O aumento da verba destinada ao aumento de rondas escolares a serem efetuadas pelas polícias militares surge logo como uma resposta mágica que irá acabar com o problema. Não vai. Primeiro porque não há como as polícias militares disporem de efetivo para realização do policiamento ostensivo e concomitantemente das rondas escolares de forma exclusiva, ou seja, ainda que se aumente a verba, não há pessoal e meios para tal. Basta lembrar que a maioria dos municípios, exceto as cidades maiores, quando muito, possuem dois policiais por turno de serviço. Na prática as rondas serão realizadas com algum ajuste no cartão-programa (roteiro) das guarnições, sem detrimento ao atendimento de outras ocorrências emergenciais. Vale aqui lembrar que várias polícias militares no País já possuem há anos programas de policiamento comunitário escolar voltados a segurança dos estabelecimentos de ensino.

Restringir conteúdo nas redes sociais também é algo apontado como uma solução, porém, além do gritante problema de como isso será feito de forma a não se configurar como censura ou impedimento à livre expressão ainda é um mistério a ser desvendado e um potencial perigo futuro a própria democracia. Claro que as redes sociais merecem uma atenção especial justamente por essa capacidade de expandir informações (verdadeira ou não) de uma maneira ferozmente eficaz e que deve sim possuir regras legais e de conduta.

Lembrando ainda que não algo tão fácil assim restringir a disseminação de conteúdos pela internet, a web é quase um organismo vivo e mutável, que se adaptar muito rapidamente a tentativas de limitações, basta relembrar casos recentes em que determinado mensageiro online foi bloqueado e logo surgiram inúmeras alternativas que fizeram as informações circularem como se nada houvesse ocorrido. A multimilionária indústria de Hollywood, por exemplo, vive tentando ´barrar vazamentos sobre suas produções ou evitar que seus filmes sejam pirateados mundialmente e até o momento não conseguiram paralisar essa demanda, fecham um site, outros dois ou três são abertos e continuam a espargir material.

Jogar a culpa para essa ou aquela política de governo (presente ou passado) é apenas retórica tentando angariar simpatia de uma parte da população, jogo no qual nossos políticos são mestres, tapar sóis com peneiras. Então o que fazer e como impedir que a reprodução de tal tipo de ataques se torne um problema recorrente?

Um recente relatório divulgado pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, país que há anos lida com tais eventos, aponta que “a violência direcionada é evitável se as comunidades tiverem as informações e os recursos certos para reconhecer sinais de alerta e intervir". Então, mais do focar em aumento de efetivo ou controle de mídias é necessário que sejam desenvolvidas estratégias de identificação e resolução de prováveis problemas.

Tal relatório aponta que a maioria dos agressores já apresentou algum histórico de comportamento que preocupou pessoas próximas, com temor pela segurança própria ou de terceiros, muitos já tinham registros de participação em atos de violência (criminal ou doméstica) ou intimidação, não raro com passagem pela polícia por crimes ou agressões. Metade desses agressores buscavam retaliação por erros relacionados a questões pessoais, domésticas ou no local de trabalho, tendo experimentado eventos estressantes logo antes de perpetrar os eventos. A maioria tinha algum problema relacionada a problemas de saúde mental e, apesar das narrativas dominantes atualmente na mídia, apenas 25% tinham motivações relacionadas a algum sistema de crença ideológica (antissemita, misógina, racial, extremista ou antigoverno).

Muitos dos perpetradores de agressões em locais públicos como escolas, costumam ter em sua biografia episódios de vitimização por bullying ou outros motivos, problemas de relacionamento no local de trabalho, de relacionamentos passados ou atuais, finanças e saúde. Eles costumam se preparar com antecedência, buscando relacionar etapas a serem seguidas, conhecer o local, coletar material para causar danos, pesquisar ataques ocorridos anteriormente e frequentemente costumam comentar sobre tais planos com alguém próximo.

É possível então intuir que a prevenção a tais atos começa muito antes de medidas mirabolantes e publicitárias. É preciso investir de verdade em participação familiar e educacional nas escolas, com programas competentes de combate a intolerância e discriminação, sem ideologias partidárias ou falaciosas, mas que tenham base na compreensão e aceitação de diferenças, na discussão saudável de ideia e na responsabilização individualizada e padronizada de tais atores.

Aqui, abro um breve parênteses para dizer que em relação a responsabilização de atos criminais é necessário também se discutir a punição de menores de 18 anos, sim, tema polêmico, mas extremamente necessário. Não é mais possível fechar os olhos a enorme participação de adolescentes em atos infracionais graves, cuja correção hoje existente só faz aumentar o risco que incide sobre essa parcela de nossa sociedade, basta ver quem mais morre e quem mais mata em nossas fronteiras, jovens entre 14 e 25 anos. Cooptados por organizações criminosas que abusam da facilidade com que tais jovens são eximidos de seus atos. Claro, A punição deve diferir daquela dada a um adulto, mas ela não pode mais ser considerada apenas análoga a um crime, mas vista como um e punível como um. Que se atenue a pena em razão da condição individual, mas essa discussão fica pra outro momento.

Voltando a temática, penso que criar instrumentos que fortaleçam a disciplina nas escolas, fazendo ver aos jovens a sua responsabilidade e fomentando o pertencimento a sua comunidade escolar, com regras estabelecidas e transparentes, que reverberem no estudante a noção de civilidade, civismo, fraternidade, mérito e compreensão sobre o próximo, são um caminho que pode ser trilhado de forma conclusiva para prevenir e evitar a propagação de tais atitudes.

A comunidade deve estar atenta a indivíduos que apresentem comportamento errático, violento, depressivo, com interesse extremo em situações de violência. As escolas devem investir na preparação de seus profissionais na identificação e resolução de potenciais problemas e é necessário que o devido encaminhamento seja dado ao fato pontual, através de acompanhamento psicossocial, orientação e aconselhamento e até avaliação pelos órgãos de segurança se necessário.

O monitoramento constante dos alunos no ambiente escolar, tal como é feito nas escolas com foco em disciplina, com o frequente estímulo ao desenvolvimento de valores familiares, fraternos, morais, cívicos e humanos é algo que tem feito falta em nossa atual sociedade que se volta cada vez mais para o interior do mundo digital, onde o distanciamento é a regra, onde limites podem ser quebrados sem consequências imediatas e muitas vezes, sem estas. Tais escolas, entretanto, não são bem vistas pelo status quo vigente, que, via de regra, não as conhece a fundo, optando pela crítica ideológica pura.

O modelo disciplinar, porém, pode ser adaptado a qualquer tipo de escola, bastando que haja compromisso e treinamento dos profissionais, bem como a implantação de um sistema de regras que seja transparente, possível e responsabilizador. O jovem precisa, desde cedo ter noções de compromisso familiar, comunitário e social, para que possa desenvolver em si senso de cidadania, cuidado pelo outro e orgulho pátrio.

Pais precisam se aproximar mais dos filhos, monitorar o que eles fazem nas redes sociais, conhecer seus amigos, dar limites claros e cobrar respeito e responsabilidade, conversar, observar, se interessar pelas atividade deles, fazer inspeções surpresas em seus objetos e coisas pessoais, não invadindo privacidades, mas sendo pais.

Valores familiares, culturais e sociais parecem estar fora de moda. Quando se fala em disciplina muita gente ouve repressão, atraso, mas sem ela, a disciplina, o ser humano não progride, ao contrário, fica como um cão correndo no mesmo lugar atrás da cauda. Cobrar responsabilidades é algo a que nos desacostumamos, principalmente quando vemos autoridades que não respondem por seus atos, insegurança jurídica dificultando entendimentos sobre que posturas são ou não legais, sensação de impunidade vista diariamente através de decisões no mínimo estranhas propaladas na justiça, falta de planejamento de estado a longo prazo, etc.

É preciso pensar com cuidado que tipo de país queremos para nossos filhos e netos, investir maciçamente em educação de qualidade, em formação técnica, geração de empregos, em melhoria social e em igualdade de oportunidades. É preciso combater intolerância de qualquer tipo, ensinar as crianças a conviver em harmonia com as diferenças, entender que cada um de nós é um universo em busca de respeito e dignidade.


terça-feira, dezembro 13, 2022

Contos, resenhas, poesias... KIKOSOFIA nº 6 chegou.


Clique AQUI para ver o flipbook
 

Olá pessoal. Aqui estamos com o sexto número da nossa querida revista. Espero que vocês leiam e aproveitem, tá muito legal essa edição. Compartilhem também. Valeu e boa leitura.

terça-feira, março 14, 2017

Mais uma...

Dizer que o fato de nossos "representantes" no Congresso quererem legalizar o "caixa 2" é vergonhoso seria lugar comum, isso infelizmente já é esperado destes que a cada dia só demonstram representar os próprios interesses. Mas ver um Ministro da Suprema Corte do País argumentar que existe "caixa dois de corrupção e caixa dois só por que querer 'esconder' coisa" é o absurdo dos absurdos. A prática é crime definido em lei, e ainda que não fosse. Um dos princípios basilares da Administração Pública é a transparência... Quando tal Ministro defende que se pode esconder alguma coisa... Sinceramente.
Ou nós aprendemos a votar e a cobrar desse povo e deixamos de endeusar moluscos e outros animais da fauna política e passamos a entender que nós somos os detentores do poder e eles meros porta-vozes da vontade popular ou estamos, com o perdão da palavra, fudidos como Nação

quarta-feira, outubro 28, 2015

A estrada da Democracia




O número de casos de corrupção que tem emergido no tempestuoso oceano político de nosso País tem levado cada dia mais, ao descrédito da população naqueles que deveriam representar os nossos anseios de cidadania e de desenvolvimento, pesquisas de diversos institutos têm mostrado que a classe política anda desmoralizada e desacreditada, uma delas (IBOPE, divulgada em 26.10.2015), afirma que os principais nomes a uma possível candidatura a presidência da república estão tecnicamente empatados no quesito rejeição, amargando índices acima de 52 por cento. A percepção de que não existe político honesto parece ganhar cada vez mais força no imaginário popular.

Quando os gregos desenvolveram o conceito de democracia – o governo do povo pelo povo – pretendiam que a participação de todos os cidadãos decidisse o rumo do Estado, dando-lhes voz e voto. Claro, que apesar do belo conceito, somente homens livres e dotados de certos direitos tinham tal privilégio. Ainda assim, a ideia evolui e ganha uma nova roupagem no período renascentista e depois com as revoluções burguesas que marcaram o início da revolução industrial, a democracia representativa estava criada e o voto se tornou o instrumento que deveria tornar a vida social mais aprimorada e participativa.

O voto, no entanto, não começou sendo um direito universal e muitas foram as lutas para que ele enfim se tornasse um direito de todos, um exemplo marcante pode ser encontrado nos movimentos negros dos Estados Unidos que por décadas tentou implantar a igualdade social capaz de, ao menos legalmente, colocar numa mesma balança negros e brancos, homens e mulheres. Muito combate ainda há que ser feito para que essa igualdade seja realmente concreta.

A Democracia não é uma instituição que esteja pronta. Desse modo, ela não é um instrumento perfeito e ainda necessita evoluir e buscar formas de inclusão dos cidadãos. Mas uma coisa é certa, ela é o instrumento mais adequado a realização da promoção da igualdade e da proteção individual e coletiva que somente podem ser alcançadas pela participação da sociedade. Mais do que um dever, estar envolvido nas discussões e na vida política do País é um direito que deve ser exercido com cuidado por cada um de nós.

Somente buscando agir como cidadãos, cumprindo nossos deveres sociais e fiscalizando nossos representantes eleitos, exigindo o cumprimento aos nossos direitos e respeitando o próximo é que podemos pavimentar a estrada que irá nos levar ao desenvolvimento de uma democracia plena em que o bem estar geral da população seja um fim e não um meio para atingir o poder. Não podemos nos eximir da participação nesse processo sob pena de continuarmos a obter resultados ainda piores de desenvolvimento humano e social.

Pra alguns pode parecer cedo discutir eleições, por exemplo, mas é preciso que tal discussão ocorra diariamente em nossas vidas, nas escolas, dentro de casa, na mesa de bar, nas igrejas, etc. Não dá pra continuar elegendo representantes com base no quanto ele nos paga por um voto, ou escolhendo o “menos pior”. É preciso exigir mudanças e mostrar que somos nós que devemos ser representados e que os eleitos nos devem obediência e sujeição, pois para isso foram eleitos. É preciso conhecer a história política de cada um dos possíveis candidatos e seus planos, verificar sua honestidade e sua coerência política, não dá pra confiar num político que pule de um partido para outro – às vezes de ideologias totalmente contrárias – como quem troca de camisa.

A Educação é um caminho nessa luta pela verdadeira Democracia, e ela não depende apenas de vontade política de prefeitos, governadores ou presidentes. Ela depende da vontade individual de cada um em buscar o seu próprio aprimoramento enquanto ser humano, dotado de consciência e membro de uma comunidade. A educação é o instrumento que liberta a mente do homem, tornando-o capaz de gerenciar o seu próprio futuro, de conhecer e exigir os seus direitos, de admitir e respeitar as diferenças individuais sejam elas religiosas, raciais, de gênero ou sexuais.

É a Educação que nos torna aptos a criar uma sociedade mais justa e eficaz na resolução de conflitos, uma sociedade que trate os seus membros como cidadãos de verdade e não números estatísticos. É a Educação que impulsiona a sociedade a se tornar melhor e verdadeiramente democrática. Mas não se engane, não serão os políticos que iniciarão essa transformação, somente você pode decidir o seu futuro, somente você pode escolher seguir a estrada para Democracia, e ela não é uma estrada fácil e não permite atalhos, é preciso ter coragem de se envolver, de se mostrar e de escolher com consciência e depois cobrar resultados. É preciso enfrentar o interesse dos poderosos e mostrar que o poder é nosso e não deles.

É preciso nos politizar e assumir a responsabilidade. Como diz o ditado, merecemos os políticos que temos, pois fomos nós que os escolhemos e somos nós os culpados pela corrupção e pelos desmandos que aí estão. Se os mesmos políticos não nos representam mais, se não podemos confiar neles, se eles acham que mandam e desmandam, vamos mostrar que nós temos a força pra fazer a mudança que nossa sociedade exige. Você pensou que seria fácil, que a decisão não cabia a você? – Sinto em dizer, você pensou errado: ʺDemocracy it’s a hard way!̠ʺ E a solução é você!

Kiko Moreira.

quarta-feira, outubro 30, 2013

REPÚDIO À DECLARAÇÃO DO SR. CLAUDIO DE MOURA CASTRO

Carta Aberta ao Senado Federal
EM REPÚDIO À DECLARAÇÃO DO SR. CLAUDIO DE MOURA CASTRO
Brasil, 26 de outubro de 2013.

Nós, ativistas do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, de diversas entidades e profissionais do setor viemos repudiar veementemente o pronunciamento machista e preconceituoso do Sr. Claudio de Moura Castro, economista, colunista de uma revista, professor especialista em educação e presidente do Conselho Consultivo da Faculdade Pitágoras, em audiência pública, realizada no dia 22 de outubro de 2013, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, em Brasília/DF.
A audiência pública supracitada tinha como pauta principal o novo projeto do Plano Nacional Educação (PNE). Nesta ocasião, o Sr. Claudio defendeu e sugeriu que o PNE assegurasse “a criação de um bônus para as ‘caboclinhas’ de Pernambuco e do Ceará que conseguirem se casar com engenheiros estrangeiros, porque aí eles ficam e aumenta o capital humano no Brasil; aumenta a nossa oferta de engenheiros”.


o vídeo com a fala polêmica

Ao ouvirmos e lermos esta declaração, cujas palavras parecem ser articuladas sob o fio do preconceito e do desrespeito aos direitos humanos, ficamos estarrecidos e indignados com tamanho preconceito e desvalorização do Estado público e democrático de direito, tão tardiamente assegurado por marcos políticos e legais no Brasil.

A Constituição Federal de 1988 afirma, no Art. 5º, que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Mais especificamente, os incisos I e IV afirmam: 

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem. 

As marcas da desigualdade no Brasil são oriundas de um processo de colonização que dizimaram indígenas, escravizou e comercializaram negros, dividiu o País em regiões ricas e pobres, atrasadas e modernas e, sobretudo, construiu uma prática histórica – que viceja até hoje – de clientelismos, colonialismos e extermínios dos indígenas, negros, nordestinos e pobres. Assim, as conquistas de referenciais democráticos convivem, anacronicamente, com discursos e projetos conservadores, preconceituosos e, por isso, autoritários.

Somos homens e mulheres negros, indígenas e caboclos. Compartilhamos do sangue e do suor dos povos que resistiram e resistem bravamente à escravidão, à miséria e ao preconceito. Além disso, somos seres sociais, sujeitos históricos, homens e mulheres com desejos, sonhos e capacidade de construir a história, quer vivamos nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste do País. SOMOS SUJEITOS DE DIREITOS!

A construção sócio-histórica de cidadania, consolidada neste País, é traduzida por vários documentos. Dentre eles, estão as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, a qual afirma a educação em direitos humanos como “um dos eixos fundamentais do direito à educação, que se refere ao uso de concepções e práticas educativas fundadas nos direitos humanos e em seus processos de promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de direitos e de responsabilidades individuais e coletivas” (art. 2º da resolução nº 1, de 30 de maio de 2012, do MEC).

Enquanto defensores dos direitos humanos, a nossa luta é, portanto, pelo amplo reconhecimento da condição de sujeito e de igualdade a todos, recusando qualquer forma de preconceito e discriminação, inclusive as diversas falas públicas que se utilizam de argumentos preconceituosos, coisificam e violam a integridade humana de homens e mulheres – sendo estas últimas historicamente vítimas de violências e preconceitos no mundo e no Brasil.

Por isso, solicitamos ao Senado Federal, instituição de extrema relevância para o cumprimento dos direitos e deveres assegurados pelo estado democrático de direito, que leia, no plenário, esta carta de repúdio.

A educação, enquanto ato histórico e humano, tem de ser construída sob valores e princípios democráticos, de justiça e criticidade. Qualquer posicionamento que viole a dignidade humana, a igualdade de direitos, o reconhecimento e a valorização das diferenças e das diversidades não pode ser incorporado às práticas educativas e cidadãs.
Na luta por um mundo mais justo e igualitário,

Atenciosamente,


Baixe o pdf com a carta


sexta-feira, setembro 27, 2013

Armas de brinquedo e violência (parte 2)

(Kiko Moreira)

Quem já teve a oportunidade de ao documentário “Falcão: meninos do tráfico”, pôde ver que em determinado momento crianças aparecem brincando de “polícia e bandido”, portando armas feitas de madeira, de caixas de papelão e outros objetos mais simples, seria uma cena comum e inocente não fosse um detalhe: as crianças ali queriam ser os traficantes, os “donos da boca”, “os matadores de polícia”. Não haviam ali armas de brinquedo estimulando a violência, ao contrário, a violência a que estavam submetidos é que estimulava nas crianças um novo mito, o de que bom mesmo é ser bandido, é ser matador. O documentário mostra muito bem o fascínio exercido nas crianças e adolescentes que os traficantes possuem, são donos do poder quase inalcançáveis, possuindo bens e confortos muito distantes do que a realidade da favela poderia proporcionar; a imagem de impunidade e realização superando qualquer medo ou estatística que diga ser a vida dos jovens envolvidos com o crime muito breve.

Ali, o que influencia a entrada de crianças e adolescentes no crime, que deslumbra as meninas, fazendo-as buscar aproximação com bandidos (imagem bem alimentada em certa novela global em que a personagem – vivida por uma lindíssima celebridade – dizia a toda hora que não interessava se o ficante era “do movimento” o que lhe importava era que ele lhe desse “presentes”.), é a possibilidade do lucro fácil, da proteção, ainda que substancial, da quase certeza de impunidade afinal, menores são inimputáveis ainda que cometam crimes hediondos.


Então, nesse país em que bandidos agem e se mostram inalcançáveis – mesmo estando trancafiados em presídio de segurança máxima, de onde comandam o crime sob as vistas e a proteção do Estado – onde políticos corruptos se livram de processos com as mais estapafúrdias e esfarrapadas desculpas e quando processados atém-se a recursos protelatórios tão enormes que arrastam-se por anos até o esquecimento; onde o trabalhador, apesar de sustentar o “Sistema” com pagamento de impostos exorbitantes, não tem acesso ao mais básicos direitos e, no qual deputados e senadores, etc. beneficiam-se de leis que lhes dá, sem o devido retorno, acesso a serviços de reis; num país em que a impunidade é vista como normal e direitos humanos são confundidos com ausência de disciplina. Vem uma lei que proíbe a venda de coloridos lançadores de dardo, pistolas de água e similares como resposta ao crescimento da violência infanto-juvenil.

Reportagem da revista Veja em 2012 afirma o seguinte: “Estudos antropológicos mostraram que, tanto em sociedades tribais quanto em países de Primeiro Mundo, nas mais variadas culturas, as crianças sempre enfrentaram e derrotaram oponentes enormes e furiosos com seus superpoderes em duelos imaginários do bem contra o mal. “As narrativas são uma espécie de treinamento para lidar com as vicissitudes da vida”, escreveu o psicólogo americano Jerome Bruner, da Universidade Harvard, um dos mais notáveis do século XX. Brincar com armas, afirmam os estudiosos do universo infantil, é uma forma de as crianças se sentirem fortes e confiantes para enfrentar os desafios reais e as sucessivas frustrações do longo e penoso crescimento físico e emocional.” Portanto, repito, em vez de proibir crianças de brincarem seus jogos, os senhores legisladores deveriam voltar os olhos para as próprias casas legislativas e começar a combater a violência pelo fator que mais a influencia e dissemina: a CORRUPÇÃO.


quarta-feira, setembro 25, 2013

Proibir armas de brinquedo: IDIOTICE (parte 1)

(Kiko Moreira)


O Distrito Federal resolveu proibir a venda de armas de brinquedo em seu território e um Projeto de Lei já tramita no Congresso, onde os “representantes” do povo irão decidir se ampliam tal proibição para o restante do País, alegam que com isso, visam reduzir a violência e instalar a “cultura da paz”. IDIOTICE! Assim mesmo, em maiúsculas.
Não são brincadeiras de crianças que fomentam a violência e fazem crescer assustadoramente os índices de criminalidade. Os confrontos simulados pelas crianças em seus “jogos de guerra”, de “mocinho e bandido” ou “capa e espada” fazem parte do próprio desenvolvimento infantil e existem em todas as culturas e existiram em todas as épocas, não são elas que estimulam a violência na criança e nem criam futuros marginais, acredito mesmo (mas não vou entrar em detalhes sobre isso aqui), que crianças que brincam assim e são criadas em ambientes saudáveis, estejam mais preparadas para os confrontos diários, para a resolução de conflitos e uso da criatividade; e que sabem diferenciar muito bem a fantasia da dura realidade.

Devo lembrar que uma boa parte (a maioria possivelmente), dos homicídios ocorre com utilização das chamadas armas brancas (facas, facões, chaves de fenda, garrafas, etc.), vamos então ter que abolir as espadas de plástico? Melhor! Vamos abolir os quadrinhos, os videogames, os desenhos animados da TV, melhor ainda! Vamos abolir a própria TV, onde a violência real aparece diariamente espalhada em programas jornalísticos sensacionalistas (que infelizmente são extremamente populares nas camadas mais básicas da população), ou em novelas que mitificam vilões e suas artimanhas maldosas. Vamos proibir os filmes nacionais que colocam perigosos bandidos no papel de mocinhos ou endeusam violentos policiais como heróis.
Vamos ainda mais além e proibamos o próprio Congresso Nacional, palco de tantos achaques à população, conhecido mais por roubos, artimanhas e negociatas corruptas do que por representar de fato os interesses nacionais. Onde condenados criminalmente pela Justiça (?) podem continuar exercendo mandato, onde condenados por corrupção tem acesso a recursos infinitos enquanto tantos presos se amontoam na prisão à espera que algum juiz dê andamento a seus casos. Um Congresso em que os benefícios públicos (saúde, moradia, transporte, verba paletó, 15º salário, etc.) são tantos que envergonham e humilham os que pagam impostos e tem acesso zero a esses mesmo direitos.




Não é proibindo a fabricação de armas de brinquedo, que as crianças deixarão de brincar com elas; como eu disse, as crianças são criativas e logo, paus, pedras, canos, lançadores de tampinhas de cerveja feitos em casa, substituirão as multicoloridas e inconfundíveis armas de lançamento de dardo e pistolas de água. O que pode acabar de vez com a crescente violência assola o Brasil é o combate frontal à corrupção, é a aplicação séria e justificada de recursos públicos onde eles são necessários e não onde se possui curral eleitoral, é punição dura e rápida de crimes de corrupção, é a diminuição de privilégios políticos, é o estímulo e o investimento em educação de qualidade. Proibir armas de brinquedo é IDIOTICE, mais do que isso, é querer desviar a atenção da população dos verdadeiros motivos da violência.





domingo, julho 14, 2013

Manifestações vandalismo e cegueira intelectual?



É engraçado como algumas pessoas, ditas intelectuais, pensadores, revolucionários, não vêm a própria cegueira ao militar em nome de uma pseudo causa democrática (ou utopicamente anárquica), em que para criticar o dito “sistema” escolhem qualquer absurdo em nome dessa crítica. Durante o último mês, uma série de manifestações justas e necessárias se alastrou pelo País, o gigante adormecido acordou e foi às ruas em busca de expressão, no entanto, como ocorre em toda aglomeração de pessoas (ordenadas ou não), sempre há aqueles cuja motivação é dissonante da maioria, então não é exatamente surpresa que inúmeros personagens nesses episódios tenham apelado para a violência e o vandalismo. Claro, houve em consequência, inúmeros embates com as forças policiais pelo País afora na tentativa de restaurar alguma ordem e, embora aqueles dissidentes da maioria tenham ido às ruas armados do mais puro espírito belicista, foram, as forças policiais, declaradas culpadas pela “repressão”; note-se que tais embates começavam quase sempre nos finais das manifestações, quando grupos se desgarravam da maioria e iniciavam ações condenáveis e muitas vezes criminosas, só não vistas assim pelos tais eternos críticos, que (surpresa!) culpavam pelo conflito iniciado à polícia, que teria infiltrado agentes repressivos para criar a baderna e assim, minar a força do movimento, teoria no mínimo questionável, mas aceita como inconteste pelos senhores críticos de plantão. Claro que as Polícias têm agentes de inteligência no meio da multidão, são eles que fornecem informações para orientar as ações dos comandantes, como intenções dos manifestantes (pacíficas ou não), suas linhas de ação, planos, reivindicações, etc. Tudo feito de maneira legal, lógica e legítima (ou vocês acham que os líderes das manifestações também não têm pessoas com acesso à informação no lado oposto?). Durante o dia nacional de mobilização (organizado por diversos sindicatos), novamente o gigante, antes letárgico, foi às ruas gritando por independência e outras causas justas, novamente vândalos e baderneiros, criminosos e arruaceiros foram ao embate munidos de rojões (que atiravam contra policiais acuados), bombas e coquetéis molotov; alguns foram denunciados e presos, mas vejo agora nas redes sociais, esses mesmo pseudo pensadores tentando defender a atitude de tais criminosos, afirmando que ela é legítima e é culpa dos já batidos  “agentes da repressão”, chegam ao ponto de comparar os cidadãos (estes sim querendo uma manifestação pacífica), a “X-9 puxa-sacos  querendo aparecer na TV”, não percebem o absurdo do que dizem e se contradizem ao mesmo tempo quando logo depois tentam empurrar o discurso do pacifismo  reprimido pelas forças policiais; como diria vovó, faça-me uma garapa! A verdade é que esses senhores não tem noção da realidade, vivem uma eterna fantasia anárquica, descabida de qualquer realidade, acham que todos deveriam adotar seus estilos de vida alternativa, que a solução para o planeta é voltar aos tempos das cavernas, abolir a tecnologia, abolir a política, exterminar qualquer tipo de organização policial e deixar que as pessoas governem a si próprias, sem regras preestabelecidas, sem leis, sem governo; esquecem que mesmo nas comunidades onde se tentou viver o anarquismo, existiam regras, condições para exercer o tal livre arbítrio, para viver sem autoridade e, mesmo lá existia algum tipo de organismo fiscal para “orientar” os que fugissem a tais condições. Uma amiga minha, falando sobre a repressão policial nas manifestações, ironizou dizendo que “spray de pimenta e bala de borracha não doem nadinha, né?”, eles doem sim, são instrumentos de dispersão que causam incômodos e podem realmente ferir (raríssimas vezes até com gravidade), mas são equipamentos legais, utilizados por pessoas profissionais e em segurança; já os tais rojões e coquetéis molotov são armas que utilizadas contra pessoas podem matar, causar incêndios, ferir gravemente pessoas. Esses têm sido os instrumentos defendidos por esses senhores do contra, saudosistas de uma tal revolução que não aconteceu em lugar algum do globo. Eles continuarão se contradizendo, alegando ser pacifistas e incentivando o vandalismo, gritando por democracia e condenando suas conquistas, pedindo liberdade e se aprisionando cada vez mais em sua discriminação.

quinta-feira, junho 20, 2013

Major da PM critica militarismo

O ator e dublador, Guilherme Briggs, divulgou na madrugada desta segunda-feira (17) uma mensagem que recebeu do Major Marcus Azevedo da Polícia Militar da Paraíba em sua página do Facebook , falando dos protestos que vem há dias ocorrendo pelo País e de como as Policias Militares vem reagindo. Isso em resposta aos inúmeros post publicados por Briggs com referencias a suposta violência abusiva da PM. (engraçado que determinado dia em São Paulo - quando PMs ficaram acuados dentro de um prédio público - houveram 08 pessoas feridas numa multidão de 65 mil, enquanto foram feridos 22 PMs entre 1500, mas a violência foi da PM é claro). Segue a mensagem:


"É, caro Briggs. Sou seu fã há tempos, desde "pequenininho" (tenho quase sua idade ) e sou Major da Polícia Militar da Paraíba. Teremos protestos aqui, mas temos também um histórico de nunca ter havido confronto com manifestantes, então cremos que tudo sairá em paz. Pouca gente não sabe de nossa realidade. Somos militares porque os governantes de hoje, a esquerda que foi oprimida pelos militares, e promulgou a Constituição de 1988, preferiu nos deixar militares, pois assim não temos direitos de cidadão. Podemos ser presos administrativamente, podemos ser presos por motim se recusarmos cumprir odens. Não temos direito a Habeas corpus se a prisão for administrativa.

Nosso regulamento discipĺinar tem o dobro da idade da Constituição, e nada a ver com ela. Podemos ser expulsos por muito pouca coisa, e ver nossas famílias a míngua. estamos submetidos a dois códigos penais (o civil e o militar). Não podemos nos filiar a partidos, nem a nos sindicalizar, ou o direito a greve. Quando há manisfestações nossas, somos tratados como amotinados, e ai, como já houve em vários locais, o exército é colocado contra nós, pois além de tudo, somos fiscalizados por eles. Enfim, somos cidadãos de 2ª classe, e com tão menos direitos do que qualquer cidadão brasileiro, é muito dificil achar quem queira se colocar a frente de qualquer coisa.
Enfim, como em Minas Gerais, que a Coronel Cláudia pode ser punida por desobedecer a justiça e permitir manifestações (que terminou em paz, e se tivesse qualquer quebra-quebra, a cabeça dela já teria rolado) tenho certeza que, se não houver vandalismo, muitas policias não oporão resistência, então, pedimos também a compreensão de todos. E obrigado, caro Briggs, pela pessoa maravilhosa que você é, e não me veja diferente pela farda que eu visto, que eu preferia fosse de uma policia verdadeiramente cidadã, sem esse militarismo que nos aprisiona em nossos uniformes."

sexta-feira, maio 21, 2010

A semana: alguns pitacos....

FICHA LIMPA - Graças a pressões da mídia, o projeto "ficha limpa" foi aprovado no Senado, claro que totalmente descaracterizado do que se propunha originalmente, por exemplo: onde havia a expressão "terem sido condenados" agora existe "os que forem condenados", ou seja, os condenados de hoje e aqueles cujo processo esteja em andamento, podem ser permanecer tranquilos, pois suas candidaturas estão praticamente garantidas. Não mudou muita coisa - Uma vitória do povo ou mais um show pirotécnico para enganá-lo????

FATOR PREVIDENCIÁRIO - Muito se fala no "rombo da previdência" e a maioria dos economista que já vi  falarem do assunto dizem que uma reforma precisa ser feita com urgência ou daqui a alguns anos a conta não vai fechar e os efeitos sobre a economia do país serão devastadores, geralmente citam como problemas a serem resolvidos: o tempo de contribuição no Brasil (que seria inferior a de outros países), o inúmeros benefícios sociais para quem nunca contribuiu, os gastos públicos, etc. Portanto, me parece uma sacanagem das grandes (e com todos nós contribuintes que um dia nos apposentaremos) acabar assim de uma hora pra outra  com o tal fator previdenciario (que limitava o valor da aposentaria de quem se afastava muito cedo) e isso sem haver previsão alguma de uma reforma previdenciária que solucione os problemas que virão disso aí. Jogada política em ano de eleição, pois está claro que o presidente irá vetar a coisa.

CÉLULA SINTÉTICA - Pesquisadores americanos conseguiram criar uma célula a partir de um genoma sintético, o que abre caminho para uma série de desenvolvimentos em diversas áreas desde a saúde, passando por biocombústíveis, bactérias ecológicas, etc. O sonho de criar vida está mais perto (com o Dr. Frankstein não deu muito certo) e traz implicações enormes, afinal além de benefícios muito bem vindos, alguém duvida que logo estariam sendo fabricadas bactérias, virus, etc. para fins militares? Eu não! A coisa, portanto, precisa ser bem vigiada e acompanhada de perto - O Obama já mandou os pesquisadores do governo acompanharem a pesquisa, de pertinho...

quinta-feira, abril 29, 2010

Políticos - pode confiar...

Na inglaterra, o primeiro-ministro ouve atentamente a uma senhora, concordando com suas reivindicações e prometendo alguma solução, para em seguida criticar a velhinha, chamando-a de ridícula, entre outras coisas. Claro que a história só veio a público porque o microfone de lapela que o safado, quer dizer, ministro usava permaneceu ligado enquanto ele falava livremente; vai perder o voto da senhora e de alguns tantos outros, mas a história ilustra bem o que se pode esperar desses senhores que dizem ser representantes do povo, mas que na prática são representantes apenas de seus propríos interesses. Mostram-se sempre amigáveis, cordiais, compreensivos etc. e tal, mas depois de eleitos esquecem a plataforma de governo divulgada, passam por cima da vontade da maioria, compram votos descaradamente sob o disfarce da ajuda social, fingem não saber que seus filhos, compadres, amigos de confiança, estão envolvidos em escândalos; põem dinheiro em meias, cuecas e sabe-se lá que outros lugares e afirmam que eram destinados a caridade, panetones, empréstimo...
E haja imaginação para que acreditemos em tanto, mas tem nada não, esse ano temos outra eleição e novamente iremos perder a chance de mudar as coisas, pessimísmo, não, sou realista, se não acredita, vejamos quantos dos envolvidos nos escâdalos dos últimos anos se elegem, reelegem, fazem sucessores...

Ah! o Lula foi eleito personalidade mais influente do mundo pela TIME. Obama ficou em quarto. Lula is the man! And Bill Clinton is the hero!

quinta-feira, abril 26, 2007

Justice League Política...

versus

A linguagem dos quadrinhos e das animações invadindo a política...



Para saber mais sobre os personagens: AQUI

Mais:







terça-feira, março 20, 2007

Polícia...


Olá pessoal, essa era postagem era pra ontem, mas problemas no servidor adiaram um pouquinho...Vamos lá.


Ontem o Jornal Nacional mostrou alguns "especialistas" em segurança (sociológos, psicológos e educadores - nunca profissionais da área - afinal esses não devem entender de nada mesmo ou não teriam se metido nessa confusão...) e, claro surgiram algumas idéias sensacionais para acabar com a violência, tanto policial quanto marginal. Alguma delas:




  1. Três e dois anos de curso para formação do policial que vai trabalhar na rua - Não sei de onde me saiu essa, até onde sei, nenhuma polícia demora tanto para formar um policial. Não é o tempo de curso que levará um bom policial para as ruas e sim a qualidade de sua formação; em média os cursos duram 03 meses para policial civil, que realmente é muito pouco se consideramos que sua atuação será a de colher provas para subsidiar um inquérito e levar o criminoso à prisão, e de 09 meses para o policial militar, que considero um bom tempo. Ocorre que essa formação não segue um padrão em todo País e a qualidade e conhecimento dos intrutores é questionável, sendo escolhido muitas vezes entre os oficiais/delegados das corporações, sem que tenham sido devidamente avaliados para tal função. Falta também uma estrutura sólida para auxiliar a formação dos policiais, que geralmente são formados sem treinamento técnico adequado, por falta de cartuchos para efetuarem aulas de tiro, falta de viaturas específicas para instrução, falta de cenários simulados de situações e até falta de condições satisfatórias de alojamento. Vale lembrar que após formados eles não sofrem qualquer tipo de controle ou avaliação que permita dizer se estão desempenhando bem ou não a sua função.



  2. Viatura adaptada com blindagem, ar condicionado, supermotor, etc - Ei! a viatura é pra policiar e não para ser um tanque de guerra. Claro que existem necessidades especiais, nas quais é preciso um veículo diferenciado, mas assim é demais. Mais uma vez não sei onde esses "especialistas" tiram essas idéias já que nenhum país do mundo tem a totalidade de suas viaturas com essa configuração. Carros reforçados apenas para necessidades especiais...E olhe que o "caveirão" do Rio de Janeiro, que atende a essas exigências é uma das coisas mais criticadas pelos "especialistas". O que é preciso mesmo é aumentar o número de viaturas nas ruas e cuidar que elas sofram manutenção adequada e possam ter o suporte de alguns veículos de repressão mais equipados, lembro porém que muitas vezes o que falta mesmo é gasolina pras viaturas saírem do pátio dos quarteis.



  3. Mira holográfica contra bala perdida - Essa me fez dar gargalhadas até agora, duvido que a Polícia Federal tenha mais de uma dúzia dessas ou que elas sejam usadas em situações além de treinamento; mas a risada foi porque, e sabe bem quem já viveu a situação, quem está num tiroteio de verdade tem tempo pra tudo, menos pra mirar ou ajustar o dispositivo holográfico, ele quer mesmo é salvar a pele e ai, é bala pro lado que está atirando e pronto. Falei tiroteio de verdade pra não confundir com aqueles tiroteios em que só um lado atira....E outro só tem o trabalho de morrer.



  4. Visão noturna - Bem, uma idéia boa pra variar, os bandido já tem. E olhe que não precisava ser pra todas as viaturas, mas os grupos especiais deveriam tê-las sim.



  5. Rádio criptografado - Outra idéia sensata e que é perseguido pelas policias há tempos, evitaria que a frequencia de comunicação pudesse ser copiada e ouvidas pelos bandidos; hoje qualquer comércio de rua vende um aparelhinho do tamando de um rádinho de pilha que "entra" na freqüencia de celulares, rádio-amadores e, claro, os rádios da polícia. R$ 150,00 viu freguês?



  6. Banco de dados unificado - Esse dizem que existe, mas na prática não funcionou até hoje devido as vaidades das chamadas "autoridades" que não conseguem se entender sobre os critérios de acesso.



Como visto, o que falta de verdade é investimento dos governos estaduais e do governo federal, sem soluções mirabolantes ou traquitanas que servem apenas para o marketing. É preciso criar metas de redução da criminalidade e padronizar comportamentos entre as diversas corporações policiais do País, criar uma fiscalização efetiva e mecanismos de controle adequados para evitar abusos e punir aqueles que usam a condição policial para cometerm crimes, é preciso valorizar a figura do policialspan text e punir severamente qualquer atentado contra eles e mudar as leis, tornando mais rápida a punição de criminosos. Mas isso só acontecerá quando o povo se conscientizar que viver intranqüilo por causa da criminalidade e da violência não é uma coisa "normal"




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