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segunda-feira, março 23, 2026

KIKOSOFIA - FEVEREIRO E MARÇO 2026

 



A Kikosofia é uma revista de divulgação cultural e reflexões políticas e filosóficas. Esse número traz como destaques os artigos: Liderança de aparências; Democracia, o que é; A mulher de César, uma lição; Ícones da cultura pop: Chaves; o conto "O beijo da morte" e ainda poesias, dicas de quadrinhos, livros e filmes.


quinta-feira, setembro 25, 2025

KIKOSOFIA 35 - SETEMBRO DE 2025

 


Esse mês marca a inserção da nossa revista no ISSN e falamos um pouco sobre Soberania, intolerância e extremismo, empatia e respeito, que deveriam moldar o multiverso formado pela humanidade, aproveitamos e fazemos uma reflexão sobre o mito da caverna e seu significado em tempos atuais. Trazemos mais um conto de Lygia Fagundes Telles e dicas de cinema, quadrinhos e livros para divertir, refletir e viver o mundo a nossa volta. 

LEIA AQUI ou AQUI

sábado, julho 19, 2025

KIKOSOFIA Nº 33 - JULHO DE 2025

 


O NOVO NÚMERO DA KIKOSOFIA ESTÁ DISPONÍVEL PARA DOWNLOAD OU LEITURA ONLINE.


BOAS LEITURAS

O QUE VOCÊ IRÁ LER NESTE NÚMERO:

UM NOVO SÍMBOLO PARA UMA ACESSIBILIDADE PLURAL;
UM JARDIM - DA SÉRIE QUARTA CRESCENTE;
"O PROMETIDO DE NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS" - CONTO DE ITAMAR SILVA FILHO;
ÍCONE DA CULTURA POP - ULTRAMAN;
ENTRE OS VÉUS DA PRUDÊNCIA E A APATIA CONSENTIDA;
A CORNETA QUE GANHOU UMA BATALHA;
O PAPEL DA BAHIA NA INDEPEDÊNCIA;
NOTÍCIAS HISTÓRICAS SOBRE A CIDADE HERÓICA DE CACHOEIRA;
UM CONTO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE;
POESIAS;
DICAS DE LIVROS; FILMES, QUADRINHOS.

quarta-feira, outubro 18, 2023

Inconsistências cotidianas

 

Quando eu estava no fim do ensino médio, minha diversão junto com alguns colegas era planejar assaltos a banco. Claro, nenhum de nós se tornou um fora da lei, ao contrário, quase todos desse grupo se tornaram em alguma esfera, defensores da democracia, mantenedores da segurança pública ou fomentadores da economia. Aqueles planos elaborados, porém ingênuos, serviram para alguns como ensaio de como prever ações e tomar medidas contrárias.

Uma das primeiras coisas que aprendi na Academia, nas aulas de Direito foi que o crime possui etapas e que só passa a ser crime realmente a partir do momento em que você o coloca em execução. Se o objetivo criminoso é alcançado, temos um crime, se não, temos uma tentativa. Ainda assim, se essa tentativa é inexequível ou ineficaz sequer pode ser considerada e, portanto, isenta de punibilidade. É como se após planejar uma explosão a um banco, usassem como explosivos aqueles “traques” (bombinhas, estalos)

que crianças costumam estourar nas mãos durante as festas juninas. Ou, se forçarmos a imaginação, tentar matar outra pessoa atirando bolinhas de papel, o que seria um crime impossível.

Outra coisa que aprendi nos meus anos de estudo, foi que existe algo chamado proporcionalidade, que determina que cada um seja punido de acordo com a conduta realizada. Em razão disso é necessário que exista a individualização dessas condutas, dessa forma, cada um será punido de acordo com aquilo que realizou. Quem planeja tem uma pena, quem executa outra, quem mata outra e assim sucessivamente. A punição de quem explode um banco difere da punição de quem vendeu a dinamite ilegalmente.

Nossa Justiça, tão envolta em polêmicas nos últimos anos, parece simplesmente desconsiderar tais princípios, e muito já se falou sobre isso por ai. É indiscutível a segregação política ocorrida recentemente em nosso país, como o é o fato de que radicalismos imbecis e irracionais tomaram conta das discussões sobre direitos, deveres e sobre quais rumos a nossa tão recente Democracia irá tomar nos próximos anos. Talvez, justamente por não termos certeza de que tipo de País estamos construindo, a Justiça tenha se colocado como defensora moral de uma ética personalíssima de alguns magistrados e, por bem ou por mal, atropelado os Princípios que deve proteger. Minutas e planos de “golpe”, se transformam no crime em si, ainda que não tenham sido implementados ou tenham se mostrado ineficazes; Cidadãos manipulados viram artífices violentos de uma tentativa de derrubada de poder, apesar de sequer termo oferecido riscos as autoridades constituídas. Pior, são exemplarmente presos, isolados, tornado incomunicáveis e julgados com uma severidade absurda que desconsidera qualquer individualização de condutas. São golpistas e pronto!

E veja, não irei negar a pretensão de questionar, dificultar, desestabilizar e repudiar o projeto de governo recém eleito. O clima de indignação permeou todo o processo eleitoral desde antes da campanha. E não à toa. O povo viu a Justiça desdizer e desmerecer tudo que ela mesma havia corroborado e confirmado pouquíssimo tempo antes. As decisões judiciais, principalmente na “mais alta corte do país” deveriam ter um aspecto de perenidade, que foi derrubado por motivos muito mais políticos que técnicos.

A insegurança jurídica sempre foi um fator dificultador para no Brasil. E infelizmente, a postura, a judicialização política, a intervenção em outros poderes, o protagonismo exagerado de alguns magistrados, só fizeram aumentar essa sensação. Um direito que hoje é assegurado, amanhã pode ser extinto. Vide o recente exemplo do chamado “casamento” homoafetivo, sonhado direito de grupos minoritários, consolidado não por lei, mas por resolução do STF e que agora se encontra sob ameaça de extinção no Congresso Nacional. Mesmo com pouca chance de prosperar, o desgaste legal será evidente, já que mais uma vez deverá haver judicialização do tema.

À margem disso, vejo nos jornais o avanço de grupos criminosos que, prevendo pouca ou nenhuma punição efetiva da Justiça, prosseguem tomando cidades como reféns para cometerem assaltos em ações cinematográficas capturadas por câmeras de vigilância ou celulares sem nenhum pudor. Explosões, tiros e pessoas servindo de escudo humano são comuns nesses eventos. Bairros inteiros são privados da presença estatal, sendo controlados por criminosos que determinam até de quem se pode ou não ser amigo, que cooptam crianças e adolescentes para o tráfico ou a prostituição, que infundem na juventude a mentalidade da violência como fator de sucesso. E a Justiça, involuntariamente (?), acaba por facilitar a expansão desses territórios criminosos por questionar ou limitar operações policiais nessas áreas.

No Rio de Janeiro, um grupo de médicos é brutalmente assassinado e, dias depois lemos num dos principais jornais do país que os suspeitos do crime foram executados por ordem de uma facção cujas lideranças “estariam contrariadas com a repercussão do caso, já que inocentes acabaram mortos”. Como se eles mesmo não fossem responsáveis por tantas mortes de inocentes. O curioso é que avisaram a polícia que haviam “resolvido o problema” e a decisão, esta foi tomada por videoconferência entre os líderes que se encontram presos num presídio de segurança máxima, afirma o mesmo jornal. O recado para o Estado é claro, não há lugar para vocês aqui, quem manda somos nós.

Vez por outra vemos nos noticiários manchetes do tipo “Perigoso líder criminoso é solto durante plantão de juiz ou desembargador e some após verificado o erro”. Na Bahia, o fornecedor de armas de guerra a grupos criminosos foi solto por um benefício legal apenas 13 dias após ser preso, anos de investimento em tempo e dinheiro para rastrear o criminoso, jogado no lixo. A rotina de tais fatos torna tais erros no mínimo suspeitos, mas sobre isso ninguém quer falar. A crítica se tornou censurável, embora a censura inexista em nosso ordenamento constitucional.

No outro extremo do mundo, um grupo radical ataca cidades e vilarejos e mata pessoas indistintamente. Alegam buscar libertação de um povo opressor e misturam em sua sanha motivos geopolíticos, religiosos e raciais. Como em toda guerra, os inocentes (em ambos os lados) irão sofrer, serão “perdas colaterais” esperadas (por mais cruel que isso soe). Mas há regras mesmo numa guerra e assassinar e decapitar crianças ou mulheres grávidas é inumano. Mas tais ações têm sido direta e indiretamente louvadas por políticos e partidos em nosso país, sob alegação de que isso é “resistência”. Os atacados por sua vez, retaliam com toda força que a sua superioridade permite, sem piedade ou espaço para negociação, casas, hospitais e escolas são bombardeados sem distinção sob alegada presença do inimigo. Igualmente recebem apoio de governos e entidades internacionais. Friso que nem criminosos, nem decapitadores de bebês, nem senhores da guerra têm sido chamados de subversivos ou terroristas

quinta-feira, maio 04, 2023

Entre Fakes e Projetos

 por Francisco Moreira


É inegável a necessidade imperiosa de criar mecanismos eficientes de regulação da internet, como dito por alguém, ela não pode ser “terra de ninguém” onde é cada um por si e salve-se quem puder, por isso mesmo, iniciativas que visam estabelecer regras claras e que evitem abusos e armadilhas digitais vem sendo implantadas em todo o mundo. Mas quando a gente vê um projeto que desde 2020 vem sendo paulatinamente atrasado em suas discussões, de repente ganhar ares de urgência, sendo alçado a condição de “salvador de nossas crianças e de nossa democracia”, a pulga atrás da orelha começa a coçar absurdamente.

Tal projeto de lei, o de número 2630, alcunhado de “Lei das fakenews” nasceu como um mecanismo de combate a “desinformação”, definida inicialmente pelo relator do projeto, o Senador Alessandro Vieira, como “conteúdo, em parte ou no todo, inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação, colocado fora de contexto, manipulado ou forjado, com potencial de causar danos individuais ou coletivos, ressalvado o ânimo humorístico ou de paródia”, e foi ganhando volume a ponto de ter hoje o dobro de artigos da proposta original.

Catapultada a status de prioridade depois dos protestos (tentativa de golpe?) do, agora histórico, 08 de janeiro em Brasília, e se valendo da perspectiva de que crimes cometidos em escolas por adolescentes logo no início do ano teriam sido incentivados através de canais online, o PL 2630 começou a dividir opiniões entre aqueles que o vêm como uma solução plausível e adequada e outros que o vêm como o precedente de censura e controle de mídia.

Vale dizer que entre declarações como “o WhatsApp é coisa de Satanás” ou “O PL2630 é coisa de país tirânico”, uma verdade se sobressai, a de que o tema ainda está longe de ser esgotado e que há sim a necessidade de maiores e melhores discussões sobre o assunto antes que o projeto se torne Lei. Há ainda muitos pontos obscuros, falta de definições claras de algumas condutas ali descritas; o conceito do que é desinformação, por exemplo sumiu do texto. Uma das versões (já modificada) o substituía por “comportamento inautêntico”, seja lá o que for isso. E, no momento em eu escrevo, pois a votação feste foi adiada para mais discussões, não há qualquer definição do que seja desinformação, fake News ou o tal conteúdo inautêntico.

No cabo de guerra, o governo e algumas empresas de comunicação (beneficiadas em razão da lei não se aplicar a elas) dizem que provedores de conteúdo e mensageria privada estão disseminando um terror injustificado e extremista contra a futura lei. Já os provedores alegam que a falta de clareza de alguns pontos e certas posturas esperadas destes podem acabar por criar mais desinformação e confusão do que já existem.

Fico com esses últimos, por enquanto, até porque, em um aceno possível as hipóteses de censura que circulam pela rede digital, o STF determinou que os provedores retirassem de seus portais as informações com as impressões destes sobre o projeto de lei. Opiniões que de forma bastante equilibradas traziam questionamentos sobre o projeto, que, sejamos sinceros, foi pouquíssimo discutido com a sociedade e os usuários das diversas mídias sociais.

Como dito acima, a necessidade de uma lei para regulamentar as vias digitais, apontando responsabilidade e comportamentos, visando transparência e maior proteção contra conteúdos nocivos é algo imperioso, porém para que seja eficaz tem que ser clara e objetiva no que se propõe, tem que ser discutida em relação a tecnicidade, a constitucionalidade, a exequibilidade e a um equilíbrio que mantenha o sistema social funcionando de maneira ordeira e sem sobressaltos desnecessários. E não pode ser uma colcha de retalhos que misture direitos autorais, relações comerciais e outros penduricalhos.

As leis não existem em razão desse ou daquele comportamento pontual, mas precisam atender a demanda de toda a sociedade organizada. Para que certos mecanismos de controle tenham eficácia é preciso que se conheça a fundo o objeto de controle, de modo a prevenir abusos ou excessos de facilidades. Claro que os provedores de mídia social precisam assumir responsabilidade por conteúdos não moderados e nocivos em suas plataformas, não podemos admitir mais que grupos extremistas, preconceituosos, nazistas, pedófilos, etc. se perpetuem de modo a influenciar crianças, adolescentes ou quem quer que seja à prática de atos criminosos ou perigosos.

Lembro o recente bloqueio do Telegram acusado de não fornecer dados sobre investigações policiais a respeito de grupos neonazistas, dados que segundo a empresa seriam impossíveis de serem entregues devido a limitações técnicas. Não vou discutir o fato em si, mas lembro que o Telegram era um mensageiro quase desconhecido há alguns anos aqui no Brasil, mas ganhou força justamente após bloqueios seguidos do WhatsApp, por motivos semelhantes. Ou seja, os usuários simplesmente foram buscar uma alternativa e será sempre assim. Portanto, não basta apenas bloquear essa ou aquela aplicação, é preciso investir seriamente em tecnologia de infiltração, em educação digital e social, criar mecanismos de inclusão e ferramentas de investigação eficazes. Como tudo isso interessa diretamente ao consumidor usuário das diversas redes sociais que operam na internet, não é cabível que um Projeto de Lei seja votado e aprovado sem uma ampla discussão que envolva a sociedade.

terça-feira, abril 18, 2023

O DIABO NÃO CRIA, ELE GANHA.

 por Estrategista do silêncio




Apesar de algumas pessoas não reconhecerem a existência de Deus ou do diabo, o fato é que energias que circulam na sociedade são a eles atribuídas, seja em verborreias, em discursos mais formais ou em bate-papos nas rodas de amigos. O que sabemos ao certo é que quando o nome do Criador vem na frente, uma estrada de paz, saúde e progresso se perfaz, ao contrário daquele outro, que espalha divisão, ódio, regresso e prisão.

Essa divisão criada e bem definida é o que se observa no Brasil de 2023, onde pessoas escolhem lados bem claros, onde uns seguem e enaltecem valores cristãos, defendendo a necessidade de permitir que o esforço seja a mola mestra do sucesso das pessoas, enquanto outros preferem a energia mais densa, apaixonada e ansiosa por benefícios que sobem do inferno, de forma calorosa e risonha, a esculhambar, desmerecer e destruir "méritos honestos'.


Da forma que está, creio que negar a existência de Deus e do diabo estaja cada vez mais difícil, pois eles estão à mostra de forma muito mais evidente neste século. As "entidades" não querem mais transitar apenas nos céus e nos infernos, buscam a nós a todo instante, como forma de fortalecer seus exércitos e assim conquistar. A grande diferença é que para aqueles que escolhem Deus como referência, dobrar os joelhos ao chão, pedir proteção e rumar em busca dos resultados é merito que engrandece e fortalece, adubando o terreno para que a vida frondosa, produtiva e justa se firme. Trabalhar, estudar, suar, tentar, perder, cair, se levantar e tentar de novo, pois é assim que se aprende. Mas para quem opta por sentar-se ao lado do "cão", o tesão é outro, é criticar que o outro não tenha tanto e não lhe critique por ter, é fomentar a divisão acelerada de tudo que for valor, pois assim esses avermelhados se percebem mais forte, em condições de subjulgar os demais sem dó e nem piedade. Ajudam o diabo, apoiam o diabo, mas não querem deitar em sua cama e nem beber de seu vinho. É uma loucura que somente o tempo poderá explicar.


Pois é assim que vamos seguindo, os que trabalham chorando e os que mamam sorrindo. Uns tapando buracos e tentando manter-se em pé e outros cavando sepulcros debaixo de seus próprios pés, como se na derrocada eles também não sejam sugados ao quintos dos infernos. Apenas no fim da história, os malditos verão que no primeiro grito, o Deus lhe dará a mão, enquanto o cão corre em busca de uma nova oportunidade, que sempre lhe chega de graça, ao custo da desgraça de todos.


sábado, abril 15, 2023

Ataques em escolas, iniciando uma reflexão.

 por Francisco Moreira


Os recentes ataques em escolas no Brasil, bem como algumas tentativas desarticuladas e a disseminação em massa de conteúdos alarmistas nas redes sociais tem causado uma onda de preocupação e apreensão de pais, professores, alunos e autoridades. Diante do problema, que é real e afeta a toda população começam a surgir, de um lado a apropriação política dos ataques, visando criticar essa ou aquela politica desse ou daquele governo; por outro, soluções mirabolantes ou apressadas baseadas em puro achismo e na emergência de dar uma resposta, política principalmente.

O aumento da verba destinada ao aumento de rondas escolares a serem efetuadas pelas polícias militares surge logo como uma resposta mágica que irá acabar com o problema. Não vai. Primeiro porque não há como as polícias militares disporem de efetivo para realização do policiamento ostensivo e concomitantemente das rondas escolares de forma exclusiva, ou seja, ainda que se aumente a verba, não há pessoal e meios para tal. Basta lembrar que a maioria dos municípios, exceto as cidades maiores, quando muito, possuem dois policiais por turno de serviço. Na prática as rondas serão realizadas com algum ajuste no cartão-programa (roteiro) das guarnições, sem detrimento ao atendimento de outras ocorrências emergenciais. Vale aqui lembrar que várias polícias militares no País já possuem há anos programas de policiamento comunitário escolar voltados a segurança dos estabelecimentos de ensino.

Restringir conteúdo nas redes sociais também é algo apontado como uma solução, porém, além do gritante problema de como isso será feito de forma a não se configurar como censura ou impedimento à livre expressão ainda é um mistério a ser desvendado e um potencial perigo futuro a própria democracia. Claro que as redes sociais merecem uma atenção especial justamente por essa capacidade de expandir informações (verdadeira ou não) de uma maneira ferozmente eficaz e que deve sim possuir regras legais e de conduta.

Lembrando ainda que não algo tão fácil assim restringir a disseminação de conteúdos pela internet, a web é quase um organismo vivo e mutável, que se adaptar muito rapidamente a tentativas de limitações, basta relembrar casos recentes em que determinado mensageiro online foi bloqueado e logo surgiram inúmeras alternativas que fizeram as informações circularem como se nada houvesse ocorrido. A multimilionária indústria de Hollywood, por exemplo, vive tentando ´barrar vazamentos sobre suas produções ou evitar que seus filmes sejam pirateados mundialmente e até o momento não conseguiram paralisar essa demanda, fecham um site, outros dois ou três são abertos e continuam a espargir material.

Jogar a culpa para essa ou aquela política de governo (presente ou passado) é apenas retórica tentando angariar simpatia de uma parte da população, jogo no qual nossos políticos são mestres, tapar sóis com peneiras. Então o que fazer e como impedir que a reprodução de tal tipo de ataques se torne um problema recorrente?

Um recente relatório divulgado pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, país que há anos lida com tais eventos, aponta que “a violência direcionada é evitável se as comunidades tiverem as informações e os recursos certos para reconhecer sinais de alerta e intervir". Então, mais do focar em aumento de efetivo ou controle de mídias é necessário que sejam desenvolvidas estratégias de identificação e resolução de prováveis problemas.

Tal relatório aponta que a maioria dos agressores já apresentou algum histórico de comportamento que preocupou pessoas próximas, com temor pela segurança própria ou de terceiros, muitos já tinham registros de participação em atos de violência (criminal ou doméstica) ou intimidação, não raro com passagem pela polícia por crimes ou agressões. Metade desses agressores buscavam retaliação por erros relacionados a questões pessoais, domésticas ou no local de trabalho, tendo experimentado eventos estressantes logo antes de perpetrar os eventos. A maioria tinha algum problema relacionada a problemas de saúde mental e, apesar das narrativas dominantes atualmente na mídia, apenas 25% tinham motivações relacionadas a algum sistema de crença ideológica (antissemita, misógina, racial, extremista ou antigoverno).

Muitos dos perpetradores de agressões em locais públicos como escolas, costumam ter em sua biografia episódios de vitimização por bullying ou outros motivos, problemas de relacionamento no local de trabalho, de relacionamentos passados ou atuais, finanças e saúde. Eles costumam se preparar com antecedência, buscando relacionar etapas a serem seguidas, conhecer o local, coletar material para causar danos, pesquisar ataques ocorridos anteriormente e frequentemente costumam comentar sobre tais planos com alguém próximo.

É possível então intuir que a prevenção a tais atos começa muito antes de medidas mirabolantes e publicitárias. É preciso investir de verdade em participação familiar e educacional nas escolas, com programas competentes de combate a intolerância e discriminação, sem ideologias partidárias ou falaciosas, mas que tenham base na compreensão e aceitação de diferenças, na discussão saudável de ideia e na responsabilização individualizada e padronizada de tais atores.

Aqui, abro um breve parênteses para dizer que em relação a responsabilização de atos criminais é necessário também se discutir a punição de menores de 18 anos, sim, tema polêmico, mas extremamente necessário. Não é mais possível fechar os olhos a enorme participação de adolescentes em atos infracionais graves, cuja correção hoje existente só faz aumentar o risco que incide sobre essa parcela de nossa sociedade, basta ver quem mais morre e quem mais mata em nossas fronteiras, jovens entre 14 e 25 anos. Cooptados por organizações criminosas que abusam da facilidade com que tais jovens são eximidos de seus atos. Claro, A punição deve diferir daquela dada a um adulto, mas ela não pode mais ser considerada apenas análoga a um crime, mas vista como um e punível como um. Que se atenue a pena em razão da condição individual, mas essa discussão fica pra outro momento.

Voltando a temática, penso que criar instrumentos que fortaleçam a disciplina nas escolas, fazendo ver aos jovens a sua responsabilidade e fomentando o pertencimento a sua comunidade escolar, com regras estabelecidas e transparentes, que reverberem no estudante a noção de civilidade, civismo, fraternidade, mérito e compreensão sobre o próximo, são um caminho que pode ser trilhado de forma conclusiva para prevenir e evitar a propagação de tais atitudes.

A comunidade deve estar atenta a indivíduos que apresentem comportamento errático, violento, depressivo, com interesse extremo em situações de violência. As escolas devem investir na preparação de seus profissionais na identificação e resolução de potenciais problemas e é necessário que o devido encaminhamento seja dado ao fato pontual, através de acompanhamento psicossocial, orientação e aconselhamento e até avaliação pelos órgãos de segurança se necessário.

O monitoramento constante dos alunos no ambiente escolar, tal como é feito nas escolas com foco em disciplina, com o frequente estímulo ao desenvolvimento de valores familiares, fraternos, morais, cívicos e humanos é algo que tem feito falta em nossa atual sociedade que se volta cada vez mais para o interior do mundo digital, onde o distanciamento é a regra, onde limites podem ser quebrados sem consequências imediatas e muitas vezes, sem estas. Tais escolas, entretanto, não são bem vistas pelo status quo vigente, que, via de regra, não as conhece a fundo, optando pela crítica ideológica pura.

O modelo disciplinar, porém, pode ser adaptado a qualquer tipo de escola, bastando que haja compromisso e treinamento dos profissionais, bem como a implantação de um sistema de regras que seja transparente, possível e responsabilizador. O jovem precisa, desde cedo ter noções de compromisso familiar, comunitário e social, para que possa desenvolver em si senso de cidadania, cuidado pelo outro e orgulho pátrio.

Pais precisam se aproximar mais dos filhos, monitorar o que eles fazem nas redes sociais, conhecer seus amigos, dar limites claros e cobrar respeito e responsabilidade, conversar, observar, se interessar pelas atividade deles, fazer inspeções surpresas em seus objetos e coisas pessoais, não invadindo privacidades, mas sendo pais.

Valores familiares, culturais e sociais parecem estar fora de moda. Quando se fala em disciplina muita gente ouve repressão, atraso, mas sem ela, a disciplina, o ser humano não progride, ao contrário, fica como um cão correndo no mesmo lugar atrás da cauda. Cobrar responsabilidades é algo a que nos desacostumamos, principalmente quando vemos autoridades que não respondem por seus atos, insegurança jurídica dificultando entendimentos sobre que posturas são ou não legais, sensação de impunidade vista diariamente através de decisões no mínimo estranhas propaladas na justiça, falta de planejamento de estado a longo prazo, etc.

É preciso pensar com cuidado que tipo de país queremos para nossos filhos e netos, investir maciçamente em educação de qualidade, em formação técnica, geração de empregos, em melhoria social e em igualdade de oportunidades. É preciso combater intolerância de qualquer tipo, ensinar as crianças a conviver em harmonia com as diferenças, entender que cada um de nós é um universo em busca de respeito e dignidade.


terça-feira, dezembro 13, 2022

Contos, resenhas, poesias... KIKOSOFIA nº 6 chegou.


Clique AQUI para ver o flipbook
 

Olá pessoal. Aqui estamos com o sexto número da nossa querida revista. Espero que vocês leiam e aproveitem, tá muito legal essa edição. Compartilhem também. Valeu e boa leitura.

domingo, outubro 30, 2022

KIKOSOFIA NOVEMBRO

 


VEJA AQUI A EDIÇÃO VIRTUAL


E continuamos com nosso projeto de revista, chegando agora ao número 05. Falamos de música, poesia, consciência negra, dicas de cinebiografia imperdíveis, cuidados com a próstata, república, etc. Trazemos ainda dois artigos de colaboradores que trazem refelexões importantíssimas sobre nosso tempos e claro uma boa leitura.

Quer colaborar com o projeto? Contos, Poesias, Opiniões, etc. Mande um e-mail para kikomoreira@hotmail.com com o assunto: kikosofia. 

Boa Leitura e obrigado por seguir conosco.



segunda-feira, outubro 17, 2022

KIKOSOFIA 04 

Estamos no número 04. Espero que você faça o download da revista. Leia. Se divirta, compartilhe e colabore. É um prazer ter você nessa jornada.



segunda-feira, setembro 12, 2022

Projeto KIKOSOFIA, Agora em revista


Esse é o projeto Kikosofia. Chegando ao número 3. Uma revista virtual em que tratamos de diversos assuntos. Espero que você leia, comente, compartilhe, participe.
A revista pode ser lida no flipbook abaixo
Tem um poema, texto, conto e quer compartilhar com o mundo. mande pra gente.



Ah sim! Os números anteriores podem ser lidos aqui: https://heyzine.com/flip-book/dcda8dc918.html



terça-feira, março 14, 2017

Mais uma...

Dizer que o fato de nossos "representantes" no Congresso quererem legalizar o "caixa 2" é vergonhoso seria lugar comum, isso infelizmente já é esperado destes que a cada dia só demonstram representar os próprios interesses. Mas ver um Ministro da Suprema Corte do País argumentar que existe "caixa dois de corrupção e caixa dois só por que querer 'esconder' coisa" é o absurdo dos absurdos. A prática é crime definido em lei, e ainda que não fosse. Um dos princípios basilares da Administração Pública é a transparência... Quando tal Ministro defende que se pode esconder alguma coisa... Sinceramente.
Ou nós aprendemos a votar e a cobrar desse povo e deixamos de endeusar moluscos e outros animais da fauna política e passamos a entender que nós somos os detentores do poder e eles meros porta-vozes da vontade popular ou estamos, com o perdão da palavra, fudidos como Nação

quarta-feira, outubro 28, 2015

A estrada da Democracia




O número de casos de corrupção que tem emergido no tempestuoso oceano político de nosso País tem levado cada dia mais, ao descrédito da população naqueles que deveriam representar os nossos anseios de cidadania e de desenvolvimento, pesquisas de diversos institutos têm mostrado que a classe política anda desmoralizada e desacreditada, uma delas (IBOPE, divulgada em 26.10.2015), afirma que os principais nomes a uma possível candidatura a presidência da república estão tecnicamente empatados no quesito rejeição, amargando índices acima de 52 por cento. A percepção de que não existe político honesto parece ganhar cada vez mais força no imaginário popular.

Quando os gregos desenvolveram o conceito de democracia – o governo do povo pelo povo – pretendiam que a participação de todos os cidadãos decidisse o rumo do Estado, dando-lhes voz e voto. Claro, que apesar do belo conceito, somente homens livres e dotados de certos direitos tinham tal privilégio. Ainda assim, a ideia evolui e ganha uma nova roupagem no período renascentista e depois com as revoluções burguesas que marcaram o início da revolução industrial, a democracia representativa estava criada e o voto se tornou o instrumento que deveria tornar a vida social mais aprimorada e participativa.

O voto, no entanto, não começou sendo um direito universal e muitas foram as lutas para que ele enfim se tornasse um direito de todos, um exemplo marcante pode ser encontrado nos movimentos negros dos Estados Unidos que por décadas tentou implantar a igualdade social capaz de, ao menos legalmente, colocar numa mesma balança negros e brancos, homens e mulheres. Muito combate ainda há que ser feito para que essa igualdade seja realmente concreta.

A Democracia não é uma instituição que esteja pronta. Desse modo, ela não é um instrumento perfeito e ainda necessita evoluir e buscar formas de inclusão dos cidadãos. Mas uma coisa é certa, ela é o instrumento mais adequado a realização da promoção da igualdade e da proteção individual e coletiva que somente podem ser alcançadas pela participação da sociedade. Mais do que um dever, estar envolvido nas discussões e na vida política do País é um direito que deve ser exercido com cuidado por cada um de nós.

Somente buscando agir como cidadãos, cumprindo nossos deveres sociais e fiscalizando nossos representantes eleitos, exigindo o cumprimento aos nossos direitos e respeitando o próximo é que podemos pavimentar a estrada que irá nos levar ao desenvolvimento de uma democracia plena em que o bem estar geral da população seja um fim e não um meio para atingir o poder. Não podemos nos eximir da participação nesse processo sob pena de continuarmos a obter resultados ainda piores de desenvolvimento humano e social.

Pra alguns pode parecer cedo discutir eleições, por exemplo, mas é preciso que tal discussão ocorra diariamente em nossas vidas, nas escolas, dentro de casa, na mesa de bar, nas igrejas, etc. Não dá pra continuar elegendo representantes com base no quanto ele nos paga por um voto, ou escolhendo o “menos pior”. É preciso exigir mudanças e mostrar que somos nós que devemos ser representados e que os eleitos nos devem obediência e sujeição, pois para isso foram eleitos. É preciso conhecer a história política de cada um dos possíveis candidatos e seus planos, verificar sua honestidade e sua coerência política, não dá pra confiar num político que pule de um partido para outro – às vezes de ideologias totalmente contrárias – como quem troca de camisa.

A Educação é um caminho nessa luta pela verdadeira Democracia, e ela não depende apenas de vontade política de prefeitos, governadores ou presidentes. Ela depende da vontade individual de cada um em buscar o seu próprio aprimoramento enquanto ser humano, dotado de consciência e membro de uma comunidade. A educação é o instrumento que liberta a mente do homem, tornando-o capaz de gerenciar o seu próprio futuro, de conhecer e exigir os seus direitos, de admitir e respeitar as diferenças individuais sejam elas religiosas, raciais, de gênero ou sexuais.

É a Educação que nos torna aptos a criar uma sociedade mais justa e eficaz na resolução de conflitos, uma sociedade que trate os seus membros como cidadãos de verdade e não números estatísticos. É a Educação que impulsiona a sociedade a se tornar melhor e verdadeiramente democrática. Mas não se engane, não serão os políticos que iniciarão essa transformação, somente você pode decidir o seu futuro, somente você pode escolher seguir a estrada para Democracia, e ela não é uma estrada fácil e não permite atalhos, é preciso ter coragem de se envolver, de se mostrar e de escolher com consciência e depois cobrar resultados. É preciso enfrentar o interesse dos poderosos e mostrar que o poder é nosso e não deles.

É preciso nos politizar e assumir a responsabilidade. Como diz o ditado, merecemos os políticos que temos, pois fomos nós que os escolhemos e somos nós os culpados pela corrupção e pelos desmandos que aí estão. Se os mesmos políticos não nos representam mais, se não podemos confiar neles, se eles acham que mandam e desmandam, vamos mostrar que nós temos a força pra fazer a mudança que nossa sociedade exige. Você pensou que seria fácil, que a decisão não cabia a você? – Sinto em dizer, você pensou errado: ʺDemocracy it’s a hard way!̠ʺ E a solução é você!

Kiko Moreira.

segunda-feira, setembro 29, 2014

Maioridade Penal irrestrita é irresponsabilidade



Reportagem exibida recentemente no programa Bom Dia Brasil da rede Globo de televisão, denunciava que nos últimos cinco anos o número de menores envolvidos com o crime no Rio de Janeiro triplicou, essencialmente em relação à participação no tráfico de drogas. Informa ainda a reportagem, que a maioria desses jovens possui baixa escolaridade e quase nenhuma perspectiva de uma vida de qualidade nos lugares onde moram. Muitos são submetidos a medidas sócio educativas nas casas de acolhimento, mas a falta de estrutura delas e as condições adversas encontradas quando saem (mesmo quando estudam e aprendem uma profissão durante o internamento), acabam levando o jovem de volta ao mundo do crime.



Não é mais surpresa que esses jovens sejam cooptados por criminosos e que muitas vezes acabem ascendendo dentro do crime e chegando a gerenciar pontos de tráfico ou mesmo comandar quadrilhas; os delitos cometidos vão desde a venda de drogas, passando por roubo, sequestros e até assassinatos. Recentemente em Porto Seguro na Bahia, uma criança de apenas 12 anos e acusada de seis assassinatos e mais 17 tentativas, foi apreendida pela polícia, causando grande comoção na sociedade local, mostrando que esse tipo de envolvimento não se restringe à capital carioca.

Tal cooptação se dá por um motivo simples: a certeza da impunidade daquele que irá cometer o crime ou, no caso específico, a infração penal. Para o chefe de quadrilha é fácil e útil recrutar menores que nada tem a perder, quase não têm medo, são destemidos, muitas vezes conhecidos pela violência exagerada e, mesmo sendo flagrados, serão rapidamente liberados, sem processo, sem necessidade de advogados, sem “sujar a ficha”; além de que, se pegos, muito pouca chance terão de levar até ao verdadeiro líder. Enfim, a lista de vantagens é enorme.

A falta de investimentos pesados em educação de base, a dificuldade para se chegar ao primeiro emprego, a praticamente inexistente qualidade de vida, os constantes apelos ao consumo, que nos instiga a ter o celular da moda, o videogame mais poderoso, a roupa que vemos na novela, a TV de LED 3D, etc. Faz parecer aos jovens que no crime eles ganharão tudo isso de forma rápida e fácil. Lembro que vivemos tempos de culto ao prazer desenfreado, o prazer pelo prazer; devemos viver o mais absurda e permissivamente possível, de maneira rápida e radical.



No documentário “Falcão, meninos do tráfico” do rapper MV Bill e Celso Athaíde (2006), uma das coisas que nos chama a atenção é perceber que o ingresso no mundo do crime, dá a esses jovens status de celebridade dentro das comunidades onde vivem. A chamada ostentação, a força bruta e a violência fazem desses meninos estrelas com direito a fãs e admiradoras, as armas que portam lhes dá uma aura de poder, de masculinidade e impõe medo aos moradores; transferindo a eles um poder social que é quase impossível de ser superado por atividades normais e honestas.

Nesse cenário, a impunidade penal aqueles menores de 18 anos se torna uma arma que nas mãos criminosas e que, a meu ver, em nada protege a imensa maioria de jovens brasileiros que não roubam, matam ou traficam. Tal impossibilidade punitiva só transforma crianças cada vez mais jovens e adolescentes em buchas de canhão do tráfico de drogas, só os faz buscar mais cedo à ascensão no mundo da violência. Claro que a redução da maioridade penal sozinha não iria acabar com a violência, assim como punir adultos também não tem surtido esse efeito; porém a possibilidade de punição poderia diminuir o interesse no uso de menores como mão de obra do crime.


Essa punibilidade, claro, deveria ser diferenciada em relação a criminosos adultos, com penas também diferenciadas e cumprimento em estabelecimentos especiais. Sei que alguns vão dizer que se melhorarmos a estrutura do que está aí, da tal rede de proteção, essa realidade se alteraria, eu digo que a melhoria é sim imprescindível, precisamos reformar nossa execução penal, com disciplina e ressocialização de verdade, precisamos de estabelecimentos penais mais seguros e com rotinas de trabalho, convivência e estudo rígidas; bem como estabelecimentos de acolhimento a menores mais estruturados e eficientes. Mas apenas isso não bastará se a discussão franca sobre a redução da punibilidade penal não for levada a toda sociedade e repensada de modo a ser justa.



O discurso não é se o menor de 18 anos deve ou não ser punido pela prática de crimes, mas sim como deve ser punido de forma coerente, imparcial, de acordo com o crime cometido, de acordo com a história pessoal do menor e como forma de proteção de outros jovens e da própria sociedade. Não há como explicar que um jovem cometa assassinatos de forma brutal e repetidas vezes e depois seja apenas internado numa instituição por no máximo 03 anos, após os quais sairá livre, sem antecedentes e na maioria das vezes pronto a voltar à criminalidade. Defender essa maioridade penal da forma que está estabelecida hoje é uma distorção do conceito de igualdade, uma injustiça e uma irresponsabilidade.

Sempre defendi que a maioridade penal deva ser relativa e não absoluta. Não dá pra ver crimes, muitas vezes hediondos, sendo cometidos por menores que acabam se livrando de qualquer punição. Também sempre defendi que a educação é o principal instrumento de libertação da sociedade e que é preciso investir e muito na ressocialização tanto de infratores quanto de criminosos, bem como há a necessidade de acompanhar os presos libertos, inclusive dando-lhe suporte após o cumprimento de suas penas. O que não dá pra defender é esse sistema que deveria proteger crianças e adolescentes dando-lhes cidadania, mas restringe essa proteção à ação não punitiva, que só faz aumentar o número de jovens vítimas da criminalidade.

quarta-feira, setembro 24, 2014

Cidadania, Turma da Mônica

Essa história da Turma da Mônica tem um bom tempo que foi publicada, mas ainda relata muito bem a nossa realidade e a necessidade de nossa participação para que as verdadeiras mudanças ocorram, em tempos de eleições há que se refletir muito sobre nosso futuro e sobre as escolhas que teremos que fazer, por isso procure se envolver mais na vida política de seu município, de seu estado e país. Escolha seus representantes com base em fatos e não pela ilusão das pesquisas ou de campanhas cheias de apelos midiáticos e nunca, mas nunca mesmo, troque seu voto por qualquer coisa, seja dinheiro, material de construção ou promessas de emprego ou colocação. Se o candidato está disposto a comprar seu voto ele com certeza não se importará em vender seu futuro.