sexta-feira, outubro 02, 2026

KIKOSOSFIA Nº 45 - SETEMBRO DE 2026


Nesse número, falamos sobre STF, 11 de setembro, setembro amarelo, contos de Machado de Assis e Franz Kafka, quadrinho, cinema e livros. Boa Leitura

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Na Kikosofia nº 39, no artigo “A ‘Mulher de César’ - A lição”, eu dizia que quem exerce poder estatal não pode utilizar da confiança da sociedade para ganhos pessoais e que a preservação da República exige que seus atores compreendam que a autoridade é um empréstimo do povo e não um troféu particular. O que temos visto amplamente divulgado em programas jornalísticos e redes sociais é um acinte vergonhoso com o povo brasileiro. Não há como expressar o sentimento de prepotência e impunibilidade escancarado na face de juízes, promotores, ministros, legisladores e governantes que administram nosso país. Aquilo que é público sendo tratado como instrumento para enriquecimento pessoal, para conveniências e interesses escusos.

A transparência que deveria ser regra no serviço público é vilipendiada sob alegações espúrias de segurança pública, invasão de privacidade, interesse nacional, fake News etc. Numa clara deturpação do que dita a lei, interpretada ao sabor das ondas. Temos uma corte constitucional que além de não solidificar a segurança jurídica, ainda se vê engendrada em constantes escândalos de favorecimentos, de interesses, de ideologias partidarista e pessoais. A razão de existir uma suprema corte é simples, evitar que as leis sejam interpretadas levianamente de acordo com a maré, tornando concreta e perene a vontade expressa na Constituição. A Corte não pode ser protagonista em espetáculos de desídia e discordância frívola.

Em nome de uma suposta democracia constantemente sob perigo (não por acaso de quem pensa diferente do suposto defensor), os mais absurdos argumentos e instrumentos são utilizados, sempre sob a vestimenta ritualística do dever moral, da interpretação conveniente, que muda, se o deixar de ser. Sempre sob a defesa do grito - que quanto mais alto e mais amedrontador melhor -, desprezando a razão e o argumento, fazendo da lei uma marionete a serviço de quem julga e não uma bússola para orientar o Juízo.

Não bastasse o comportamento visivelmente ideológico de alguns, há ainda o problema de relações sociais que se confundem escandalosamente com relações comerciais, supostos conluios e nebulosas obtenções de vantagens. Se aprendemos algo com a história da mulher de César é que a manutenção do estado depende da reputação irrepreensível de seus dirigentes, não basta apenas ser inocente, há que parecer inocente.

No Brasil, as autoridades simplesmente se recusam a seguir tal princípio, se ofendem diante da mera sugestão de terem seu trabalho e suas relações fiscalizadas pelo povo, a quem deveriam servir. Aqui, autoridades sob suspeição, se limitam a tentar desmerecer as provas (muitas vezes robustas) ou os acusadores. Isso quando não são eles próprios que julgam se a prova pode ou não ser aceita.

O Juiz denuncia, investiga, preside o inquérito, julga e ainda dá voto numa representação contra ele próprio. O procurador, citado num inquérito, é quem decide se o inquérito tem validade ou não. O presidente da casa legislativa, envolvido fraternalmente com um acusado, controla se dá seguimento ou não a investigação. Vale dizer que não há crime em manter amizade ou relação com quem quer que seja, criminosos inclusive. Mas quando inúmeras autoridades são colocadas na mesma teia de contatos de um criminoso (seja em relações comerciais, de amizade ou simples banalidade), cujo método de ação depende de cooptar a seu favor funcionários e servidores públicos, o mínimo que se esperaria em uma democracia que respeitasse o povo e a lógica, era que tais autoridades declarassem sua suspeição e pedisse afastamento de seus cargos até que tudo pudesse ser trazido à luz da verdade.

quarta-feira, agosto 26, 2026

KIKOSOFIA 44 - AGOSTO DE 2026





Mais uma vez estamos discutindo o absurdo da violência contra a mulher, trazendo ainda um artigo sobre como a prostituição forçada foi usada durante a Guerra, refletindo sobre decepções e expectativas, bem como buscando na literatura contos que expressem a situação da violência em narrativas densas nas escritas de Kate Chopin e Charlote Perkins Gilman. A revista ainda faz reflexões sobre o voto, o autorretrato da poesia, numa prosa que discute a hipocrisia de certas canções e um raio-x sobre "Nevermind", icônico álbum do Nirvana. Quadrinhos, filmes e livros estão nas dicas, como sempre. Boa Leitura

 

terça-feira, agosto 25, 2026

KIKOSOFIA 43 - JULHO DE 2026

 


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A estreia da coluna "Os melhores álbuns de todos os tempos" com uma análise de Thriller de Michael Jackson, uma reflexão sobre o Job, como ilusão de empoderamento, Um conto de Richard Wrigth, A Liberdade Sitiada, a "Paz que começa dentro de nós" é o assunto da quarta crescente, quadrinhos, cinema e poesia.


segunda-feira, junho 15, 2026

KIKOSOFIA 42 - JUNHO DE 2026


 

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Em meio à Copa do mundo, a Kikosofia deste mês é dedicada ao futebol, traçando a trajetória épica da Seleção Brasileira neste evento que pretende reunir as nações em torno da inclusão através do esporte – ainda que isso esteja mais na teoria do que na prática -. Carlos Drummond de Andrade, Alcântara Machado, Vinícius de Moraes, Ferreira Gular e Osvaldo Soriano trazem uma visão única do campo através de seus contos e poemas e ainda refletimos sobre a mais poderosa ferramenta humana com Monte Nero e refletimos o perseverar cristão com Castilho. Dicas de filmes, quadrinhos e livros sobre futebol? Temos também, então aproveite a leitura e boas jogadas. 

quinta-feira, maio 28, 2026

KIKOSOFIA Nº 41 - MAIO DE 2026

 



Esse número da revista traz uma reflexão sobre a música e a formação emocional, bem como uma matéria sobre abuso infanto juvenil, Édipo rei como uma metáfora para iniciática, o dossiê de He-Man, fazendo relembrar a jornada desse personagem nostálgico que ganha um filme agora em junho de 2026, resenha sobre Bouncer, quadrinho de faroeste de Jodorowsky e Boucq e ainda dois contos do americano Ambrose Bierce.


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terça-feira, abril 21, 2026

KIKOSOFIA 40 - ABRIL 2026

 


Esse mês a revista traz um conto de Kiko Moreira, uma resenha sobre o livro "Dano Irreversível", artigos sobre a Paixão, a angústia de querer agradar, violência infantojuvenil, a dialética na educação policial e transubstanciação da Mímesis, entre outros.

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segunda-feira, março 23, 2026

KIKOSOFIA - FEVEREIRO E MARÇO 2026

 



A Kikosofia é uma revista de divulgação cultural e reflexões políticas e filosóficas. Esse número traz como destaques os artigos: Liderança de aparências; Democracia, o que é; A mulher de César, uma lição; Ícones da cultura pop: Chaves; o conto "O beijo da morte" e ainda poesias, dicas de quadrinhos, livros e filmes.


segunda-feira, janeiro 05, 2026

Nosso simples e fabuloso dia a dia - Resenha HQ

 



O Combate Cotidiano - Manu Lacernet - Editora Pipoca e Nanquim - 252 páginas

★★★★☆


"Marco, um jovem fotógrafo de guerra que, cansado de registrar horrores, decide dar um tempo no trabalho e, na companhia de seu gato  troca a cidade grande pelo campo, com o intuito de fazer as pazes consigo mesmo e com o mundo." A sinopse de "O combate cotidiano" nem de longe reflete a profundidade desse quadrinho, cuja reflexões sobre a vida e as inúmeras conexões voluntárias ou não que fazemos ao longo dela, as perdas que sofremos, esperadas ou não, as crises de ansiedade que afetam a tantos de nós devido a mudança para as quais não nos preparamos, mas com as quais temos que lidar, seja por causa de um encontro casual que nos faz entrar numa jornada romântica cujo rumo é sempre incerto, ou pela inseguranças que a quebra de uma rotina, quando esta deixa de fazer sentido, mas ainda assim nos faz falta. Lacernet nos transporta com uma sensibilidade incrível para uma história absurdamente comum e, justamente por isso, tão extraordinária. Temos medo de crescer e assumir responsabilidades, tememos as sombras de nossos passados e nos sentimos extremamente traídos quando descobrimos que nem sempre nossas lembranças e a lembrança (ou o passado) de quem amamos é tão desconhecido quanto possível e que sempre há esqueletos nos armários e parte de quem somos que não gostaríamos de ter herdado. O medo é uma constante aqui, assim como a ansiedade, mas tratados de uma forma leve, reflexiva e que nos leva a entender muito de quem somos, mesmo em culturas tão distantes geograficamente, mas tão próximas humanamente. Há reflexões duras aqui, ditas em inúmeras falas de personagens, que nos causam aquele incomodo pensamento de "poxa isso é tão familiar". MAS, não quer dizer que a história é pesada ou sombria, NÃO! O humor, reforçado pelo traço cartunesco, é o elemento condutor da história e vamos vendo ser destiladas ideias que nos alegram, preocupam, entristecem e nos dão esperança. Assim é a vida, composta por dores, perdas, lutos, decepções, alegrias, surpresas, redenção, ciclos intermináveis de mudanças que fazem nosso cotidiano ser a aventura incomum e maravilhosa que é.

P.S - A representação gráfica das crises de pânico do protagonista são uma das coisas mais emblemáticas que já vi em um quadrinho e até mesmo em outros tipos de expressão artística.  Desenvolvi ansiedade há alguns anos e já passei por algumas dessas crises e me vi perfeitamente nestes momentos.

P.S 2 - Há algumas reflexões políticas e comportamentais (sociais) ao longo da obra, mostradas as vezes de formas sutis, mas em determinados capítulos se integrando perfeitamente ao roteiro, valores de certos personagens que expressam visões diferentes de mundo, mas sem proselitismo ou catequização, como diz um deles em determinado momento: "A gente aceita a ilusão da luta porque está na moda, isso nos faz 'cidadãos'...Mas são lutas convenientes, que nos permitem voltar para casa pontualmente às oito da noite. (...) Nós não votamos num modelo de sociedade, mas na reflexão mais tranquilizadora da mídia... ou pior, por tradição familiar!" e, sim há uma certa desesperança cínica aqui.


Por Kiko Moreira