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quarta-feira, agosto 26, 2026

KIKOSOFIA 44 - AGOSTO DE 2026





Mais uma vez estamos discutindo o absurdo da violência contra a mulher, trazendo ainda um artigo sobre como a prostituição forçada foi usada durante a Guerra, refletindo sobre decepções e expectativas, bem como buscando na literatura contos que expressem a situação da violência em narrativas densas nas escritas de Kate Chopin e Charlote Perkins Gilman. A revista ainda faz reflexões sobre o voto, o autorretrato da poesia, numa prosa que discute a hipocrisia de certas canções e um raio-x sobre "Nevermind", icônico álbum do Nirvana. Quadrinhos, filmes e livros estão nas dicas, como sempre. Boa Leitura

 

terça-feira, agosto 25, 2026

KIKOSOFIA 43 - JULHO DE 2026

 


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A estreia da coluna "Os melhores álbuns de todos os tempos" com uma análise de Thriller de Michael Jackson, uma reflexão sobre o Job, como ilusão de empoderamento, Um conto de Richard Wrigth, A Liberdade Sitiada, a "Paz que começa dentro de nós" é o assunto da quarta crescente, quadrinhos, cinema e poesia.


quinta-feira, maio 28, 2026

KIKOSOFIA Nº 41 - MAIO DE 2026

 



Esse número da revista traz uma reflexão sobre a música e a formação emocional, bem como uma matéria sobre abuso infanto juvenil, Édipo rei como uma metáfora para iniciática, o dossiê de He-Man, fazendo relembrar a jornada desse personagem nostálgico que ganha um filme agora em junho de 2026, resenha sobre Bouncer, quadrinho de faroeste de Jodorowsky e Boucq e ainda dois contos do americano Ambrose Bierce.


Páginas










terça-feira, abril 21, 2026

KIKOSOFIA 40 - ABRIL 2026

 


Esse mês a revista traz um conto de Kiko Moreira, uma resenha sobre o livro "Dano Irreversível", artigos sobre a Paixão, a angústia de querer agradar, violência infantojuvenil, a dialética na educação policial e transubstanciação da Mímesis, entre outros.

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sábado, novembro 22, 2025

KIKOSOFIA 37 - NOV 2025

 


A Kikosofia deste mês traz um dossiê sobre Conan, o bárbaro; além de matérias sobre a prevenção ao câncer de próstata; uma definição sobre o que é Distopia; reflexões sobre crime e combate estatal, bem como atuação da Justiça; as sempre bem-vindas reflexões sobre quem somos, a necessidade de conhecer a nós mesmos e a certeza das incertezas; poemas e dicas de quadrinhos, livros e filmes que rememoram a consciência negra e mais. Sua revista digital de cultura e entretenimento está aqui.




sábado, agosto 16, 2025

KIKOSOFIA Nº 34 - 80 ANOS DE HIROSHIMA


E a nova KIKOSOFIA está disponível para baixar. 


A nova revista traz algumas importantes reflexões sobre os 80 anos da tragédia que atingiu as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki ao final da Segunda Grande Guerra, como isso influenciou a criação de um personagem fundamental da cultura pop, o Godzilla e inspirou algumas das mais sensíveis e comoventes adaptações em Anime e manga. Um conto de Moacyr Scliar é um bem humorado grito do absurdo que é a guerra. Falamos ainda sobre a violência contra a mulher, um mal que insiste em pautar nossa sociedade e como algumas podem estar contribuindo para que ela não diminua apesar das leis e campanhas de conscientização. 
De nossa parte desejamos que tenham uma BOA LEITURA, se DIVIRTAM e COMPARTILHEM a revista. Querendo colaborar é só enviar um e-mail para kikosofia@gmail.com

Nos vemos sempre por aqui!

 

quarta-feira, outubro 18, 2023

Inconsistências cotidianas

 

Quando eu estava no fim do ensino médio, minha diversão junto com alguns colegas era planejar assaltos a banco. Claro, nenhum de nós se tornou um fora da lei, ao contrário, quase todos desse grupo se tornaram em alguma esfera, defensores da democracia, mantenedores da segurança pública ou fomentadores da economia. Aqueles planos elaborados, porém ingênuos, serviram para alguns como ensaio de como prever ações e tomar medidas contrárias.

Uma das primeiras coisas que aprendi na Academia, nas aulas de Direito foi que o crime possui etapas e que só passa a ser crime realmente a partir do momento em que você o coloca em execução. Se o objetivo criminoso é alcançado, temos um crime, se não, temos uma tentativa. Ainda assim, se essa tentativa é inexequível ou ineficaz sequer pode ser considerada e, portanto, isenta de punibilidade. É como se após planejar uma explosão a um banco, usassem como explosivos aqueles “traques” (bombinhas, estalos)

que crianças costumam estourar nas mãos durante as festas juninas. Ou, se forçarmos a imaginação, tentar matar outra pessoa atirando bolinhas de papel, o que seria um crime impossível.

Outra coisa que aprendi nos meus anos de estudo, foi que existe algo chamado proporcionalidade, que determina que cada um seja punido de acordo com a conduta realizada. Em razão disso é necessário que exista a individualização dessas condutas, dessa forma, cada um será punido de acordo com aquilo que realizou. Quem planeja tem uma pena, quem executa outra, quem mata outra e assim sucessivamente. A punição de quem explode um banco difere da punição de quem vendeu a dinamite ilegalmente.

Nossa Justiça, tão envolta em polêmicas nos últimos anos, parece simplesmente desconsiderar tais princípios, e muito já se falou sobre isso por ai. É indiscutível a segregação política ocorrida recentemente em nosso país, como o é o fato de que radicalismos imbecis e irracionais tomaram conta das discussões sobre direitos, deveres e sobre quais rumos a nossa tão recente Democracia irá tomar nos próximos anos. Talvez, justamente por não termos certeza de que tipo de País estamos construindo, a Justiça tenha se colocado como defensora moral de uma ética personalíssima de alguns magistrados e, por bem ou por mal, atropelado os Princípios que deve proteger. Minutas e planos de “golpe”, se transformam no crime em si, ainda que não tenham sido implementados ou tenham se mostrado ineficazes; Cidadãos manipulados viram artífices violentos de uma tentativa de derrubada de poder, apesar de sequer termo oferecido riscos as autoridades constituídas. Pior, são exemplarmente presos, isolados, tornado incomunicáveis e julgados com uma severidade absurda que desconsidera qualquer individualização de condutas. São golpistas e pronto!

E veja, não irei negar a pretensão de questionar, dificultar, desestabilizar e repudiar o projeto de governo recém eleito. O clima de indignação permeou todo o processo eleitoral desde antes da campanha. E não à toa. O povo viu a Justiça desdizer e desmerecer tudo que ela mesma havia corroborado e confirmado pouquíssimo tempo antes. As decisões judiciais, principalmente na “mais alta corte do país” deveriam ter um aspecto de perenidade, que foi derrubado por motivos muito mais políticos que técnicos.

A insegurança jurídica sempre foi um fator dificultador para no Brasil. E infelizmente, a postura, a judicialização política, a intervenção em outros poderes, o protagonismo exagerado de alguns magistrados, só fizeram aumentar essa sensação. Um direito que hoje é assegurado, amanhã pode ser extinto. Vide o recente exemplo do chamado “casamento” homoafetivo, sonhado direito de grupos minoritários, consolidado não por lei, mas por resolução do STF e que agora se encontra sob ameaça de extinção no Congresso Nacional. Mesmo com pouca chance de prosperar, o desgaste legal será evidente, já que mais uma vez deverá haver judicialização do tema.

À margem disso, vejo nos jornais o avanço de grupos criminosos que, prevendo pouca ou nenhuma punição efetiva da Justiça, prosseguem tomando cidades como reféns para cometerem assaltos em ações cinematográficas capturadas por câmeras de vigilância ou celulares sem nenhum pudor. Explosões, tiros e pessoas servindo de escudo humano são comuns nesses eventos. Bairros inteiros são privados da presença estatal, sendo controlados por criminosos que determinam até de quem se pode ou não ser amigo, que cooptam crianças e adolescentes para o tráfico ou a prostituição, que infundem na juventude a mentalidade da violência como fator de sucesso. E a Justiça, involuntariamente (?), acaba por facilitar a expansão desses territórios criminosos por questionar ou limitar operações policiais nessas áreas.

No Rio de Janeiro, um grupo de médicos é brutalmente assassinado e, dias depois lemos num dos principais jornais do país que os suspeitos do crime foram executados por ordem de uma facção cujas lideranças “estariam contrariadas com a repercussão do caso, já que inocentes acabaram mortos”. Como se eles mesmo não fossem responsáveis por tantas mortes de inocentes. O curioso é que avisaram a polícia que haviam “resolvido o problema” e a decisão, esta foi tomada por videoconferência entre os líderes que se encontram presos num presídio de segurança máxima, afirma o mesmo jornal. O recado para o Estado é claro, não há lugar para vocês aqui, quem manda somos nós.

Vez por outra vemos nos noticiários manchetes do tipo “Perigoso líder criminoso é solto durante plantão de juiz ou desembargador e some após verificado o erro”. Na Bahia, o fornecedor de armas de guerra a grupos criminosos foi solto por um benefício legal apenas 13 dias após ser preso, anos de investimento em tempo e dinheiro para rastrear o criminoso, jogado no lixo. A rotina de tais fatos torna tais erros no mínimo suspeitos, mas sobre isso ninguém quer falar. A crítica se tornou censurável, embora a censura inexista em nosso ordenamento constitucional.

No outro extremo do mundo, um grupo radical ataca cidades e vilarejos e mata pessoas indistintamente. Alegam buscar libertação de um povo opressor e misturam em sua sanha motivos geopolíticos, religiosos e raciais. Como em toda guerra, os inocentes (em ambos os lados) irão sofrer, serão “perdas colaterais” esperadas (por mais cruel que isso soe). Mas há regras mesmo numa guerra e assassinar e decapitar crianças ou mulheres grávidas é inumano. Mas tais ações têm sido direta e indiretamente louvadas por políticos e partidos em nosso país, sob alegação de que isso é “resistência”. Os atacados por sua vez, retaliam com toda força que a sua superioridade permite, sem piedade ou espaço para negociação, casas, hospitais e escolas são bombardeados sem distinção sob alegada presença do inimigo. Igualmente recebem apoio de governos e entidades internacionais. Friso que nem criminosos, nem decapitadores de bebês, nem senhores da guerra têm sido chamados de subversivos ou terroristas

sábado, abril 15, 2023

Ataques em escolas, iniciando uma reflexão.

 por Francisco Moreira


Os recentes ataques em escolas no Brasil, bem como algumas tentativas desarticuladas e a disseminação em massa de conteúdos alarmistas nas redes sociais tem causado uma onda de preocupação e apreensão de pais, professores, alunos e autoridades. Diante do problema, que é real e afeta a toda população começam a surgir, de um lado a apropriação política dos ataques, visando criticar essa ou aquela politica desse ou daquele governo; por outro, soluções mirabolantes ou apressadas baseadas em puro achismo e na emergência de dar uma resposta, política principalmente.

O aumento da verba destinada ao aumento de rondas escolares a serem efetuadas pelas polícias militares surge logo como uma resposta mágica que irá acabar com o problema. Não vai. Primeiro porque não há como as polícias militares disporem de efetivo para realização do policiamento ostensivo e concomitantemente das rondas escolares de forma exclusiva, ou seja, ainda que se aumente a verba, não há pessoal e meios para tal. Basta lembrar que a maioria dos municípios, exceto as cidades maiores, quando muito, possuem dois policiais por turno de serviço. Na prática as rondas serão realizadas com algum ajuste no cartão-programa (roteiro) das guarnições, sem detrimento ao atendimento de outras ocorrências emergenciais. Vale aqui lembrar que várias polícias militares no País já possuem há anos programas de policiamento comunitário escolar voltados a segurança dos estabelecimentos de ensino.

Restringir conteúdo nas redes sociais também é algo apontado como uma solução, porém, além do gritante problema de como isso será feito de forma a não se configurar como censura ou impedimento à livre expressão ainda é um mistério a ser desvendado e um potencial perigo futuro a própria democracia. Claro que as redes sociais merecem uma atenção especial justamente por essa capacidade de expandir informações (verdadeira ou não) de uma maneira ferozmente eficaz e que deve sim possuir regras legais e de conduta.

Lembrando ainda que não algo tão fácil assim restringir a disseminação de conteúdos pela internet, a web é quase um organismo vivo e mutável, que se adaptar muito rapidamente a tentativas de limitações, basta relembrar casos recentes em que determinado mensageiro online foi bloqueado e logo surgiram inúmeras alternativas que fizeram as informações circularem como se nada houvesse ocorrido. A multimilionária indústria de Hollywood, por exemplo, vive tentando ´barrar vazamentos sobre suas produções ou evitar que seus filmes sejam pirateados mundialmente e até o momento não conseguiram paralisar essa demanda, fecham um site, outros dois ou três são abertos e continuam a espargir material.

Jogar a culpa para essa ou aquela política de governo (presente ou passado) é apenas retórica tentando angariar simpatia de uma parte da população, jogo no qual nossos políticos são mestres, tapar sóis com peneiras. Então o que fazer e como impedir que a reprodução de tal tipo de ataques se torne um problema recorrente?

Um recente relatório divulgado pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, país que há anos lida com tais eventos, aponta que “a violência direcionada é evitável se as comunidades tiverem as informações e os recursos certos para reconhecer sinais de alerta e intervir". Então, mais do focar em aumento de efetivo ou controle de mídias é necessário que sejam desenvolvidas estratégias de identificação e resolução de prováveis problemas.

Tal relatório aponta que a maioria dos agressores já apresentou algum histórico de comportamento que preocupou pessoas próximas, com temor pela segurança própria ou de terceiros, muitos já tinham registros de participação em atos de violência (criminal ou doméstica) ou intimidação, não raro com passagem pela polícia por crimes ou agressões. Metade desses agressores buscavam retaliação por erros relacionados a questões pessoais, domésticas ou no local de trabalho, tendo experimentado eventos estressantes logo antes de perpetrar os eventos. A maioria tinha algum problema relacionada a problemas de saúde mental e, apesar das narrativas dominantes atualmente na mídia, apenas 25% tinham motivações relacionadas a algum sistema de crença ideológica (antissemita, misógina, racial, extremista ou antigoverno).

Muitos dos perpetradores de agressões em locais públicos como escolas, costumam ter em sua biografia episódios de vitimização por bullying ou outros motivos, problemas de relacionamento no local de trabalho, de relacionamentos passados ou atuais, finanças e saúde. Eles costumam se preparar com antecedência, buscando relacionar etapas a serem seguidas, conhecer o local, coletar material para causar danos, pesquisar ataques ocorridos anteriormente e frequentemente costumam comentar sobre tais planos com alguém próximo.

É possível então intuir que a prevenção a tais atos começa muito antes de medidas mirabolantes e publicitárias. É preciso investir de verdade em participação familiar e educacional nas escolas, com programas competentes de combate a intolerância e discriminação, sem ideologias partidárias ou falaciosas, mas que tenham base na compreensão e aceitação de diferenças, na discussão saudável de ideia e na responsabilização individualizada e padronizada de tais atores.

Aqui, abro um breve parênteses para dizer que em relação a responsabilização de atos criminais é necessário também se discutir a punição de menores de 18 anos, sim, tema polêmico, mas extremamente necessário. Não é mais possível fechar os olhos a enorme participação de adolescentes em atos infracionais graves, cuja correção hoje existente só faz aumentar o risco que incide sobre essa parcela de nossa sociedade, basta ver quem mais morre e quem mais mata em nossas fronteiras, jovens entre 14 e 25 anos. Cooptados por organizações criminosas que abusam da facilidade com que tais jovens são eximidos de seus atos. Claro, A punição deve diferir daquela dada a um adulto, mas ela não pode mais ser considerada apenas análoga a um crime, mas vista como um e punível como um. Que se atenue a pena em razão da condição individual, mas essa discussão fica pra outro momento.

Voltando a temática, penso que criar instrumentos que fortaleçam a disciplina nas escolas, fazendo ver aos jovens a sua responsabilidade e fomentando o pertencimento a sua comunidade escolar, com regras estabelecidas e transparentes, que reverberem no estudante a noção de civilidade, civismo, fraternidade, mérito e compreensão sobre o próximo, são um caminho que pode ser trilhado de forma conclusiva para prevenir e evitar a propagação de tais atitudes.

A comunidade deve estar atenta a indivíduos que apresentem comportamento errático, violento, depressivo, com interesse extremo em situações de violência. As escolas devem investir na preparação de seus profissionais na identificação e resolução de potenciais problemas e é necessário que o devido encaminhamento seja dado ao fato pontual, através de acompanhamento psicossocial, orientação e aconselhamento e até avaliação pelos órgãos de segurança se necessário.

O monitoramento constante dos alunos no ambiente escolar, tal como é feito nas escolas com foco em disciplina, com o frequente estímulo ao desenvolvimento de valores familiares, fraternos, morais, cívicos e humanos é algo que tem feito falta em nossa atual sociedade que se volta cada vez mais para o interior do mundo digital, onde o distanciamento é a regra, onde limites podem ser quebrados sem consequências imediatas e muitas vezes, sem estas. Tais escolas, entretanto, não são bem vistas pelo status quo vigente, que, via de regra, não as conhece a fundo, optando pela crítica ideológica pura.

O modelo disciplinar, porém, pode ser adaptado a qualquer tipo de escola, bastando que haja compromisso e treinamento dos profissionais, bem como a implantação de um sistema de regras que seja transparente, possível e responsabilizador. O jovem precisa, desde cedo ter noções de compromisso familiar, comunitário e social, para que possa desenvolver em si senso de cidadania, cuidado pelo outro e orgulho pátrio.

Pais precisam se aproximar mais dos filhos, monitorar o que eles fazem nas redes sociais, conhecer seus amigos, dar limites claros e cobrar respeito e responsabilidade, conversar, observar, se interessar pelas atividade deles, fazer inspeções surpresas em seus objetos e coisas pessoais, não invadindo privacidades, mas sendo pais.

Valores familiares, culturais e sociais parecem estar fora de moda. Quando se fala em disciplina muita gente ouve repressão, atraso, mas sem ela, a disciplina, o ser humano não progride, ao contrário, fica como um cão correndo no mesmo lugar atrás da cauda. Cobrar responsabilidades é algo a que nos desacostumamos, principalmente quando vemos autoridades que não respondem por seus atos, insegurança jurídica dificultando entendimentos sobre que posturas são ou não legais, sensação de impunidade vista diariamente através de decisões no mínimo estranhas propaladas na justiça, falta de planejamento de estado a longo prazo, etc.

É preciso pensar com cuidado que tipo de país queremos para nossos filhos e netos, investir maciçamente em educação de qualidade, em formação técnica, geração de empregos, em melhoria social e em igualdade de oportunidades. É preciso combater intolerância de qualquer tipo, ensinar as crianças a conviver em harmonia com as diferenças, entender que cada um de nós é um universo em busca de respeito e dignidade.


terça-feira, novembro 08, 2022

Nada de novo no front

 Kiko Moreira


A crueldade, a inclemência e a inutilidade da guerra precisam ser avivadas vez ou outra em nossa memória, principalmente em tempos nos quais parecemos nos importar tão pouco como nosso semelhante e onde os sentimentos de unidade, de compaixão, de espanto diante da violência parecem ter endurecido em nossos corações. Não a toa nos divertimos em espalhar fotos de acidentes sangrentos, reproduzir notícias falsas sem preocupação com conseqüências ou mesmo aceitar ilegalidades como meros comportamentos sociais.

A guerra não é e nunca foi algo bom, heróico ou grandioso; ao contrário, é sempre um pesadelo sujo, fétido e humilhante para aqueles que as lutam. Talvez os que engrandeçam o ato de guerrear sejam justamente o que ficam encastelados no conforto de seus gabinetes traçando planos e fornecendo carne humana para ser triturada em batalhas nas quais sequer se tem clareza sobre os objetivos de se estar ali.

O filme Nada de novo no front (Im Westen nichts Neues, 2022), produção alemã dirigida por Edward Berger e baseada no romance de mesmo nome do escritor Erich Maria Remarque, lançado em 1929 é uma releitura interessante, crua e necessária da obra, que já havia sido adaptada outras duas vezes para o cinema (1930) e TV (1979). Curioso é que na época em que Hitler estava no poder proibiu a exibição do filme de 30 e mandou queimar o romance pelo seu teor pacifista e classificado como derrotista pelo Führer.

Logo no início do filme chama atenção a cena em que soldados retiram os fardamentos dos mortos e o enviam para serem lavados e costurados, para então serem entregues a outros soldados que novamente sendo mortos servirão seus uniformes a outros alimentando o ciclo famélico de sangue da guerra. As cenas de batalha são sensacionais e transmitem todo o medo, confusão e angústia de estar ali, não há tempo para pensar, refletir ou mesmo lutar, a única coisa é correr, atirar e dar sorte de não ser morto. Não há objetivo na guerra e isso fica mais do que evidente nas trincheiras enlameadas, cheias de ratos, sem comida ou esperança, fazendo com que uma travessura para roubar um ganso se torne uma faísca tênue de esperança e alegria.

-Nada de novo no front -
-Im Westen nichts Neues- (Alemanha, 2022)
Direção: Edward Berger
2 hr 28 min (148 min)
disponível na Netflix

segunda-feira, setembro 29, 2014

Maioridade Penal irrestrita é irresponsabilidade



Reportagem exibida recentemente no programa Bom Dia Brasil da rede Globo de televisão, denunciava que nos últimos cinco anos o número de menores envolvidos com o crime no Rio de Janeiro triplicou, essencialmente em relação à participação no tráfico de drogas. Informa ainda a reportagem, que a maioria desses jovens possui baixa escolaridade e quase nenhuma perspectiva de uma vida de qualidade nos lugares onde moram. Muitos são submetidos a medidas sócio educativas nas casas de acolhimento, mas a falta de estrutura delas e as condições adversas encontradas quando saem (mesmo quando estudam e aprendem uma profissão durante o internamento), acabam levando o jovem de volta ao mundo do crime.



Não é mais surpresa que esses jovens sejam cooptados por criminosos e que muitas vezes acabem ascendendo dentro do crime e chegando a gerenciar pontos de tráfico ou mesmo comandar quadrilhas; os delitos cometidos vão desde a venda de drogas, passando por roubo, sequestros e até assassinatos. Recentemente em Porto Seguro na Bahia, uma criança de apenas 12 anos e acusada de seis assassinatos e mais 17 tentativas, foi apreendida pela polícia, causando grande comoção na sociedade local, mostrando que esse tipo de envolvimento não se restringe à capital carioca.

Tal cooptação se dá por um motivo simples: a certeza da impunidade daquele que irá cometer o crime ou, no caso específico, a infração penal. Para o chefe de quadrilha é fácil e útil recrutar menores que nada tem a perder, quase não têm medo, são destemidos, muitas vezes conhecidos pela violência exagerada e, mesmo sendo flagrados, serão rapidamente liberados, sem processo, sem necessidade de advogados, sem “sujar a ficha”; além de que, se pegos, muito pouca chance terão de levar até ao verdadeiro líder. Enfim, a lista de vantagens é enorme.

A falta de investimentos pesados em educação de base, a dificuldade para se chegar ao primeiro emprego, a praticamente inexistente qualidade de vida, os constantes apelos ao consumo, que nos instiga a ter o celular da moda, o videogame mais poderoso, a roupa que vemos na novela, a TV de LED 3D, etc. Faz parecer aos jovens que no crime eles ganharão tudo isso de forma rápida e fácil. Lembro que vivemos tempos de culto ao prazer desenfreado, o prazer pelo prazer; devemos viver o mais absurda e permissivamente possível, de maneira rápida e radical.



No documentário “Falcão, meninos do tráfico” do rapper MV Bill e Celso Athaíde (2006), uma das coisas que nos chama a atenção é perceber que o ingresso no mundo do crime, dá a esses jovens status de celebridade dentro das comunidades onde vivem. A chamada ostentação, a força bruta e a violência fazem desses meninos estrelas com direito a fãs e admiradoras, as armas que portam lhes dá uma aura de poder, de masculinidade e impõe medo aos moradores; transferindo a eles um poder social que é quase impossível de ser superado por atividades normais e honestas.

Nesse cenário, a impunidade penal aqueles menores de 18 anos se torna uma arma que nas mãos criminosas e que, a meu ver, em nada protege a imensa maioria de jovens brasileiros que não roubam, matam ou traficam. Tal impossibilidade punitiva só transforma crianças cada vez mais jovens e adolescentes em buchas de canhão do tráfico de drogas, só os faz buscar mais cedo à ascensão no mundo da violência. Claro que a redução da maioridade penal sozinha não iria acabar com a violência, assim como punir adultos também não tem surtido esse efeito; porém a possibilidade de punição poderia diminuir o interesse no uso de menores como mão de obra do crime.


Essa punibilidade, claro, deveria ser diferenciada em relação a criminosos adultos, com penas também diferenciadas e cumprimento em estabelecimentos especiais. Sei que alguns vão dizer que se melhorarmos a estrutura do que está aí, da tal rede de proteção, essa realidade se alteraria, eu digo que a melhoria é sim imprescindível, precisamos reformar nossa execução penal, com disciplina e ressocialização de verdade, precisamos de estabelecimentos penais mais seguros e com rotinas de trabalho, convivência e estudo rígidas; bem como estabelecimentos de acolhimento a menores mais estruturados e eficientes. Mas apenas isso não bastará se a discussão franca sobre a redução da punibilidade penal não for levada a toda sociedade e repensada de modo a ser justa.



O discurso não é se o menor de 18 anos deve ou não ser punido pela prática de crimes, mas sim como deve ser punido de forma coerente, imparcial, de acordo com o crime cometido, de acordo com a história pessoal do menor e como forma de proteção de outros jovens e da própria sociedade. Não há como explicar que um jovem cometa assassinatos de forma brutal e repetidas vezes e depois seja apenas internado numa instituição por no máximo 03 anos, após os quais sairá livre, sem antecedentes e na maioria das vezes pronto a voltar à criminalidade. Defender essa maioridade penal da forma que está estabelecida hoje é uma distorção do conceito de igualdade, uma injustiça e uma irresponsabilidade.

Sempre defendi que a maioridade penal deva ser relativa e não absoluta. Não dá pra ver crimes, muitas vezes hediondos, sendo cometidos por menores que acabam se livrando de qualquer punição. Também sempre defendi que a educação é o principal instrumento de libertação da sociedade e que é preciso investir e muito na ressocialização tanto de infratores quanto de criminosos, bem como há a necessidade de acompanhar os presos libertos, inclusive dando-lhe suporte após o cumprimento de suas penas. O que não dá pra defender é esse sistema que deveria proteger crianças e adolescentes dando-lhes cidadania, mas restringe essa proteção à ação não punitiva, que só faz aumentar o número de jovens vítimas da criminalidade.

terça-feira, setembro 16, 2014

A eterna estupidez no trânsito





Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado todos os mortos nas estradas...” Os versos acima são de “Perfeição”, música da Legião urbana e estão no início deste artigo pra que reflitamos o quão estúpida ainda é nossa postura no trânsito diário de nossas confusas ruas, cheias de engarrafamentos por nada, de motoristas que parecem estar numa pista de Fórmula um, onde as pessoas agem como se fossem imunes a qualquer possibilidade de se envolverem ou causarem acidentes, muitas vezes com vítimas fatais e que nem sempre são inocentes também.

Basta sair às ruas pra ver toda sorte de absurdos: É proibido e perigosíssimo dirigir falando ao celular, mas essa é uma das infrações mais comuns de nosso tempo (as mulheres são campeãs absolutas nesse tipo de infração, infelizmente), em que não se pode andar desconectado. E se é um absurdo que um motorista tire a atenção do tráfego para atender ao celular, que dizer de motociclistas que digitam mensagens enquanto pilotam?

Já vi de tudo nesse trânsito louco, contando dá até pra duvidar, mas tudo verdade: mulheres fazendo as unhas enquanto dirigem, homens penteando a cabeleira a 120 por hora numa BR, motociclistas andando lado a lado conversando animadamente, mulheres se maquiando, gente tirando pelos do nariz. Hoje vi um motorista de ambulância conduzindo de forma perigosa enquanto assistia televisão (uma tela de LED bem acima do volante), um olho no sinal, outro na novela.

A imprudência e a falta de educação para e com o trânsito, causam sérios prejuízos financeiros e de saúde. O número de mortes e incapacitações devido a acidentes de trânsito é absurdo. Só de indenizações do DPVAT em 2013 tivemos registradas 54.800 mortes e mais 444.000 pessoas inválidas no Brasil; e sabemos que esses números são bem maiores, pois boa parte dos envolvidos acaba não dando entrada no seguro.

Quando se fala em câncer as pessoas se benzem, batem na madeira e rezam pra que essa doença nunca nos apareça, se houvesse uma vacina que a prevenisse iríamos todos em busca dela. Mais morremos muito mais no trânsito e ainda assim arriscamos sair por aí sem usar os cintos de segurança ou após uma bebedeira. E ainda tem aqueles que dizem que “dirigem melhor quando estão bebendo” mesmo que todas as pesquisas digam que basta um copo para diminuir nossos reflexos e consequentemente nossa atenção ao dirigir.

Até quando “vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso nosso descaso por educação (...) o horror de tudo isso - com festa, velório e caixão”? – Até quando vamos permitir que acidentes tirem vidas por pura negligência, por falta de atenção a pequenas regras? Será tão difícil deixar pra atender ao celular quando chegarmos a nosso destino? Será que o mundo anda tão apressado que não pode esperar?



A cada dia vemos nas TVs exemplos terríveis de imprudência, de mortes inexplicáveis e desnecessárias; mortes que poderiam ser evitadas com o respeito às regras de trânsito e ao direito do próximo. Enquanto países como a Alemanha diminuíram as mortes no trânsito cerca de 80% nos últimos 40 anos, dados do Mapa da violência publicado agora em 2014 mostram que no Brasil as mortes aumentaram 38,3% num período de 10 anos.

Essa falta de respeito às leis que regem o trânsito brasileiro conjugada com a baixa qualidade dos nossos motoristas, muitos deles conduzindo sem carteira de habilitação nos coloca em 1º lugar no número de mortes relacionadas ao trânsito (se considerarmos os índices do DPVAT), sendo que boa parte ocorre envolvendo motociclistas ou motoristas que dirigem acima da velocidade permitida e aqueles que dirigem alcoolizados.

Mudar nossa postura diante do trânsito pode ajudar bastante na diminuição desses índices, precisamos nos conscientizar que nas ruas e estradas todos somos responsáveis pelas vidas de todos; a imprudência não afeta apenas nosso veículo, ela pode levar a acidentes muito sérios e fatais, temos que aprender a dirigir respeitando a vida: A nossa e dos outros que trafegam ao nosso lado. Só assim para parar de “celebrar a estupidez humana”.

quinta-feira, julho 24, 2014

Paz. Você concorda com isso?

Imagem via Pixabay

Sempre fui a favor da liberdade de expressão, contra toda forma de censura, sempre acreditei que as pessoas têm o direito de ser e de fazer o que bem entendem, mas também sempre acreditei que, a menos que essa pessoa viva isolada num planeta deserto, tem que haver regras pois, quando existem duas pessoas, existe um relacionamento e toda ação gerará uma reação que afetará o outro, assim as regras servem para limitar o poder individual de ser e de fazer, buscando um equilíbrio entre o meu querer e o seu. A liberdade não pode ser confundida com o caos, ou o mundo vive sob a égide de normas ou a sociedade se extinguirá como brasa atirada no leito de um rio. Respeitar o querer ser de cada um, infelizmente não é algo natural como gostariam alguns “intelectuais”, mesmo a educação não impregna no homem essa qualidade, somos egoístas por natureza, não por que somos maus ou por que herdamos os pecados de nossos pais, somos simplesmente muito apegados a nós mesmos, Freud explica isso muito bem com o conceito de EGO, ID e SUPEREGO, sem regras que permitam o convívio social, nem sequer teríamos saído das cavernas para ganhar o espaço. Por isso quando vejo o vandalismo gritante de alguns radicais, em especial os autodenominados “black blocs”, que não possuem nenhum objetivo além do vandalismo em si, a baderna como forma de protesto vazia, lembrando atitudes e métodos nazifascistas (a exemplo dos empregados pela juventude hitlerista ou os camisas negras italianos), porém carentes como já afirmei, de uma ideologia verdadeira, querem simplesmente anarquizar, ser contra tudo e contra todos, afirmam protestar contra os governos, lutando por democracia, mas como, se para fazer isso desafiam a própria democracia?
A alegação mais recorrente é que “como o Estado usa de violência institucionalizada contra a população…”, vamos então usar da mesma violência contra o Estado. Esquecem de uma coisa, o Estado somos todos nós; queiram ou não admitir, quem mais sofre com tais ações é a sociedade pela qual dizem lutar. Pude acompanhar alguns protestos, principalmente bloqueios de estradas, o que vi nessas ocasiões foram pessoas que nada tem a ver com a solução imediata de qualquer problema, pessoas que tentavam se deslocar para casa após um dia de trabalho, ou indo a uma consulta médica, vi crianças de colo agitadas e famintas e até mesmo um paciente que morreu por não conseguir transpor um desses bloqueios, mesmo estando numa ambulância, vi inclusive o absurdo de alguém que disse em relação ao caso “não se pode fazer uma omelete sem quebrar ovos”. Fato é que os tais radicais continuam angariando a simpatia de um grupo de intelectuais (?), ditos radicais, cujo discurso parece evocar quase sempre uma convocação as armas, mesmo afirmando clamar por paz.

Imagem via Correio Braziliense
Como temos visto nos últimos dias, muitos dos protestos, ou melhor, da violência ocorrida nestes, foi fruto de uma bem pensada estratégia de amedrontamento e formação de caos, uma tentativa de desmoralizar as forças institucionalizadas, cujos objetivos ainda são nebulosos, mas que devem aparecer com o caminhar das investigações policiais. Alguns dos líderes já foram presos e outros tentam politizar a violência argumentando sofrer perseguição “do sistema”. Muita coisa ainda deverá vir a descoberto, principalmente com o término da Copa e a aproximação do pleito eleitoral (quem financia esses grupos, quais os objetivos e quem são os beneficiados). Convêm portanto, ficar atento as diversas fontes de informação hoje disponíveis e tentar observar o que realmente ocorre por trás da notícia estampada nos noticiários.
Eu creio na Paz, essa com P maiúsculo, que respeita o direito dos outros, que sabe que certas lutas são inevitáveis, mas que a violência não é caminho para absolutamente nada, na Paz que dá a outra face, a face da denúncia, da educação, da não agressão gratuita, porque infelizmente as vezes é preciso bater sim. Creio na Paz que expõe verdades e procura não repetir erros, na Paz que busca a verdadeira Democracia, que faz mudanças com a força de um voto, na Paz que se apoia na solidariedade e justiça. Mas para isso é preciso que estejamos dispostos a fazer a maior de todas as revoluções: Mudarmos a nós mesmos.