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segunda-feira, junho 23, 2025

Revista KIKOSOFIA Nº 32 - Junho 2025


junho 2025 - Baixe a sua AQUI ou leia online AQUI

Neste número: Um conto de Virgínia Woolf; Entre bonecas de silicone e crianças digitais, A tradição das festa juninas, Obediência e resignação, O valor que o peido tem, Karl Landsteiner e os mistérios do sangue, A liberdade de poder pensar, A real abolição moral, Poemas, Dicas de Quadrinhos, Cinema, Livros  etc.
Liberdade de expressão, Tiananmen, Um inimigo do povo, Todos os homens do presidente, Infiltrado na Khan, Um teto todo seu.

 

quinta-feira, maio 04, 2023

Entre Fakes e Projetos

 por Francisco Moreira


É inegável a necessidade imperiosa de criar mecanismos eficientes de regulação da internet, como dito por alguém, ela não pode ser “terra de ninguém” onde é cada um por si e salve-se quem puder, por isso mesmo, iniciativas que visam estabelecer regras claras e que evitem abusos e armadilhas digitais vem sendo implantadas em todo o mundo. Mas quando a gente vê um projeto que desde 2020 vem sendo paulatinamente atrasado em suas discussões, de repente ganhar ares de urgência, sendo alçado a condição de “salvador de nossas crianças e de nossa democracia”, a pulga atrás da orelha começa a coçar absurdamente.

Tal projeto de lei, o de número 2630, alcunhado de “Lei das fakenews” nasceu como um mecanismo de combate a “desinformação”, definida inicialmente pelo relator do projeto, o Senador Alessandro Vieira, como “conteúdo, em parte ou no todo, inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação, colocado fora de contexto, manipulado ou forjado, com potencial de causar danos individuais ou coletivos, ressalvado o ânimo humorístico ou de paródia”, e foi ganhando volume a ponto de ter hoje o dobro de artigos da proposta original.

Catapultada a status de prioridade depois dos protestos (tentativa de golpe?) do, agora histórico, 08 de janeiro em Brasília, e se valendo da perspectiva de que crimes cometidos em escolas por adolescentes logo no início do ano teriam sido incentivados através de canais online, o PL 2630 começou a dividir opiniões entre aqueles que o vêm como uma solução plausível e adequada e outros que o vêm como o precedente de censura e controle de mídia.

Vale dizer que entre declarações como “o WhatsApp é coisa de Satanás” ou “O PL2630 é coisa de país tirânico”, uma verdade se sobressai, a de que o tema ainda está longe de ser esgotado e que há sim a necessidade de maiores e melhores discussões sobre o assunto antes que o projeto se torne Lei. Há ainda muitos pontos obscuros, falta de definições claras de algumas condutas ali descritas; o conceito do que é desinformação, por exemplo sumiu do texto. Uma das versões (já modificada) o substituía por “comportamento inautêntico”, seja lá o que for isso. E, no momento em eu escrevo, pois a votação feste foi adiada para mais discussões, não há qualquer definição do que seja desinformação, fake News ou o tal conteúdo inautêntico.

No cabo de guerra, o governo e algumas empresas de comunicação (beneficiadas em razão da lei não se aplicar a elas) dizem que provedores de conteúdo e mensageria privada estão disseminando um terror injustificado e extremista contra a futura lei. Já os provedores alegam que a falta de clareza de alguns pontos e certas posturas esperadas destes podem acabar por criar mais desinformação e confusão do que já existem.

Fico com esses últimos, por enquanto, até porque, em um aceno possível as hipóteses de censura que circulam pela rede digital, o STF determinou que os provedores retirassem de seus portais as informações com as impressões destes sobre o projeto de lei. Opiniões que de forma bastante equilibradas traziam questionamentos sobre o projeto, que, sejamos sinceros, foi pouquíssimo discutido com a sociedade e os usuários das diversas mídias sociais.

Como dito acima, a necessidade de uma lei para regulamentar as vias digitais, apontando responsabilidade e comportamentos, visando transparência e maior proteção contra conteúdos nocivos é algo imperioso, porém para que seja eficaz tem que ser clara e objetiva no que se propõe, tem que ser discutida em relação a tecnicidade, a constitucionalidade, a exequibilidade e a um equilíbrio que mantenha o sistema social funcionando de maneira ordeira e sem sobressaltos desnecessários. E não pode ser uma colcha de retalhos que misture direitos autorais, relações comerciais e outros penduricalhos.

As leis não existem em razão desse ou daquele comportamento pontual, mas precisam atender a demanda de toda a sociedade organizada. Para que certos mecanismos de controle tenham eficácia é preciso que se conheça a fundo o objeto de controle, de modo a prevenir abusos ou excessos de facilidades. Claro que os provedores de mídia social precisam assumir responsabilidade por conteúdos não moderados e nocivos em suas plataformas, não podemos admitir mais que grupos extremistas, preconceituosos, nazistas, pedófilos, etc. se perpetuem de modo a influenciar crianças, adolescentes ou quem quer que seja à prática de atos criminosos ou perigosos.

Lembro o recente bloqueio do Telegram acusado de não fornecer dados sobre investigações policiais a respeito de grupos neonazistas, dados que segundo a empresa seriam impossíveis de serem entregues devido a limitações técnicas. Não vou discutir o fato em si, mas lembro que o Telegram era um mensageiro quase desconhecido há alguns anos aqui no Brasil, mas ganhou força justamente após bloqueios seguidos do WhatsApp, por motivos semelhantes. Ou seja, os usuários simplesmente foram buscar uma alternativa e será sempre assim. Portanto, não basta apenas bloquear essa ou aquela aplicação, é preciso investir seriamente em tecnologia de infiltração, em educação digital e social, criar mecanismos de inclusão e ferramentas de investigação eficazes. Como tudo isso interessa diretamente ao consumidor usuário das diversas redes sociais que operam na internet, não é cabível que um Projeto de Lei seja votado e aprovado sem uma ampla discussão que envolva a sociedade.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Querem estabelecer cotas na TV

Aqui no Brasil quando faltam políticas sérias de inclusão e incentivo, seja à educação, segurança ou à produção artístico-cultural, vem logo um político (que diz representar nossos interesses) e propõem algo absurdo como algum sistema de cota ou uma nova lei de "defesa da minorias", quer exemplos?

A violência contra a mulher crescia assustadoramente, criaram uma lei específica que pune com mais rigor o cara que bate na esposa, com delegacias especializadas, atendimento diferenciado, etc. Não deu certo, que fazem então? Criam uma nova lei, mais rígida e com mais proteções, colocam o nome de uma vítima (que durante anos sofreu pela ineficiência do Estado em protegê-la - e a todos os cidadãos) e comemoram como se isso fosse um verdadeiro avanço em direção ao primeiro mundo. Podiam bem ter investido em educação e no efetivo cumprimento da legislação "normal", até porque a Constituição não admite que as pessoas sejam tratadas de modo distinto ao "todos são iguais perante a Lei..."

Descobrem que a maioria negra do país dificilmente consegue chegar a concluir o 2º Grau, quanto mais chegar a Universidade, que fazem? Jogam de lado o fato dessa enorme população que não consegue estudar não é ser formada de negros, mas de pobres e criam cotas universitárias, assim resolvem o "problema imediato", ganham pontos junto à população e continuam não investindo o suficiente na educação básica, para que os pobres possam efetivamente ter as mesmas chances do mais dotados fincanceiramente, sejam eles negros, pardos ou brancos.

Mais exemplos? Não conseguem evitar a entrada de celulares em presídios, então colocam bloqueadores caríssimos e ineficazes nas redondezas - Não conseguem efetuar um planejamento para a saúde, culpam a falta de recursos e prorrogam indefinidamente uma "contribuição" obrigatória.

Agora querem obrigar as TVs, estabelecendo cotas de modo que 50% da programação dos canais por assinatura seja obrigatoriamente nacional. Isso mesmo, essa é a proposta de emenda do Putado Jorge Bittar (PT-RJ) - Já que a produtoras nacionais "são incompetentes para serem queridas pelo povo, vamos obrigá-los..." - Como se elas precisassem disso; nossos programas são suficientemente bem produzidos para que conquistem seu espaço sozinhas. Eu quero ter a liberdade de poder escolher meus canais e vê-los (inclusive os muitos nacionais de excelente padrão) sem ser obrigado a engolir qualquer coisa só porque é nacional.

Lembram-se da época em que o cinema pornô nacional deslanchou? Incentivo de cotas do governo, era fácil, barato e subsidiado... Conteúdo? A Alcione Mazzeo peladona na tela de TV.

Se você também é contra essas idiotices deputadas, clique AQUI e proteste.

quarta-feira, abril 25, 2007

Sexo


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Estávamos, eu e um amigo, conversando, quando o assunto enveredou por assuntos sexuais, falamos de alguns outros amigos que parecem ter uma conduta, infelizmente comum, de achar que o sexo é algo como um prêmio de uma caçada em que o número de vitórias conquistadas é a única coisa que importa e a parceira apenas o vetor para que se chegue ao tal prêmio; um objeto para um fim. Postura que atualmente também se estende às mulheres e aos jovens traduzida num verbo: FICAR!


Sexo não é isso. Sexo como eu vejo, requer envolvimento, paixão; e a gente só se apaixona por aquilo que conhecemos, por aquilo em que nos envolvemos de verdade, senão é apenas momento fugidio que desvanecerá com o tempo e se apagará do rio de nossas memórias.


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Não quero levantar falsos moralismos. Por isso mesmo afirmo logo que SIM. É perfeitamente possível haver sexo sem que haja amor, este não é requisito essencial para que o sexo aconteça de uma forma devastadora, apaixonante e inesquecível. A paixão sim; essa é indispensável mas, como já disse, para se estar apaixonado é necessário que se conheça aquela pessoa com que se vai para a cama, sem conhecimento e paixão, existe apenas uma troca de fluidos e isso não é sexo.


Sexo é algo quase mágico, que nos acelera de 0 a 100 em milésimos de segundo, que nos envolve o corpo inteiro e quando acaba nos deixa aquela sensação de perda e de ganho, uma sensação que não pode ser descrita, pois tem que ser experimentada. Sexo exige dedicação ao outro, exige que se descubra o corpo do outro, que se explore e se aventure a cada encontro, mas isso só pode ocorrer se houver cumplicidade, outra coisa que também é indispensável no sexo e mais uma prova de que "ficar" não é sexo de verdade, pois para haver cumplicidade é preciso haver conhecimento, troca, carinho, segredos que só os dois dividem.


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Sexo é, talvez, o maior presente que recebemos da natureza e não basta juntar dois corpos numa cama e friccionar os órgãos sexuais, isso qualquer animal faz. Para que exista sexo de verdade a união deve começar na mente, se desenhar nos olhos, ir se esculpindo em cada gesto, tomando forma em cada beijo, em cada toque mais, ou menos íntimo.


Sexo necessita de tempo, de antes e de depois; carece de pequenos gestos, de mordidas secretas, de beijos roubados nas horas mais inoportunas, de pequenas loucuras cometidas no dia-a-dia. Sexo requer paciência e impulsividade para conhecer e provocar, para realizar a mágica de tornar-se um só corpo, unido não pelas partes sexuais, mas unido por cada centímetro de pele e de pensamento, por cada gota de suor e saliva, por cada som grunido, gritado ou sussurrado durante a dança.


Já disse que Amor não é essencial ao sexo, a Paixão sim, gostar de verdade do outro, querer estar ao lado e sentir falta quando este se afasta. MAS se existe amor, Ah! e se então nesse amor existir paixão...Sex Você chega ao Paraíso a cada encontro, em cada movimento da dança que os corpos bailam, a cada olhar inflamado com a essência do outro, a cada êxtase que se desprende e preenche o ar...


Ficar? Isso é coisa de quem ainda não aprendeu que Sexo não é pra qualquer um. Sexo é pra quem se apaixona.


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sábado, novembro 18, 2006

Internet, liberdade e controle

Por Kiko Moreira.


A internet nasceu sob a tutela dos militares, mas só se popularizou a partir do momento em que se tornou um território livre, onde todos poderiam interagir independentemente de fronteiras ou da distância que os separavam. Rapidamente a internet se transformou num fórum onde qualquer um poderia divulgar suas idéias, expor seus trabalhos e vender seus produtos de modo que a palavra “globalização” deixou de ser um ideal neo-liberalista e tornou-se real, com ações e conseqüências que vão muito além do mundo virtual. Aí começaram os problemas.

A liberdade exercida pelo anonimato da rede e a dificuldade em diferenciar o que é falso ou verdadeiro criou a necessidade do policiamento, provando mais uma vez que a utopia anarquista de que cada um se auto-governe é só isso, uma utopia; não pode existir sociedade, seja ela real ou forjada em comunidades virtuais que prescinda de um instrumento de controle e punição para aqueles que fogem às regras estabelecidas.

O conceito de que “meu direito termina onde começa o do outro” é bonito e essencial para que haja relacionamentos, mas muito pouco empregado na vida de verdade, pois somos, apesar de toda a “civilização” que apregoamos, seres que estão intimamente determinados pelos instintos de sobrevivência, que gritam sem parar “o meu primeiro”.

A liberdade para ser completa deve ser permanentemente responsável, devemos constantemente estar lutando contra nosso instinto interior de autopreservação, pois só assim poderemos respeitar plenamente o direito alheio, vida em comunidade é isso: Dar a vida (ou um pouco dela ao menos) para que toda a comunidade possa viver de forma plena e em harmonia.

Se não começarmos a tentar viver dessa maneira, pode não nos restar outra alternativa a não ser aquela prevista há décadas por todo escritor de ficção que se preze, o controle total de todos os nossos passos através de máquinas e organismos governamentais, que nos vigiarão dia e noite, incessantemente à procura de “falhas do sistema”. Oxalá que aprendamos as lições daquele barbudo, não, não é o Lula. Aquele que disse “Faça aos outros somente aquilo que desejarias que também lhe fizessem”.

leia AQUI e AQUI ou AQUI sobre controle da internet.