A KIKOSOFIA é um espaço de colaboração, no qual todas as vozes são acolhidas e respeitadas. Uma revista mensal feita por pessoas como você, com ideias por vezes convergente, mas nem sempre. Um local para debates e cooperação de ideias, de descobertas e criatividade, acolhedora da arte em todas as suas formas. Lutando pelo direito e liberdade de expressão, mesmo que não concordemos com nada do que for dito. Seja BEM VINDO e BOAS LEITURAS.
segunda-feira, junho 23, 2025
Revista KIKOSOFIA Nº 32 - Junho 2025
quinta-feira, maio 04, 2023
Entre Fakes e Projetos
por Francisco Moreira
Tal projeto de lei, o de número
2630, alcunhado de “Lei das fakenews” nasceu como um mecanismo de combate a
“desinformação”, definida inicialmente pelo relator do projeto, o Senador
Alessandro Vieira, como “conteúdo, em parte ou no todo, inequivocamente falso
ou enganoso, passível de verificação, colocado fora de contexto, manipulado ou
forjado, com potencial de causar danos individuais ou coletivos, ressalvado o
ânimo humorístico ou de paródia”, e foi ganhando volume a ponto de ter hoje o
dobro de artigos da proposta original.
Catapultada a status de
prioridade depois dos protestos (tentativa de golpe?) do, agora histórico, 08
de janeiro em Brasília, e se valendo da perspectiva de que crimes cometidos em
escolas por adolescentes logo no início do ano teriam sido incentivados através
de canais online, o PL 2630 começou a dividir opiniões entre aqueles que o vêm
como uma solução plausível e adequada e outros que o vêm como o precedente de
censura e controle de mídia.
Vale dizer que entre declarações
como “o WhatsApp é coisa de Satanás” ou “O PL2630 é coisa de país tirânico”,
uma verdade se sobressai, a de que o tema ainda está longe de ser esgotado e
que há sim a necessidade de maiores e melhores discussões sobre o assunto antes
que o projeto se torne Lei. Há ainda muitos pontos obscuros, falta de
definições claras de algumas condutas ali descritas; o conceito do que é
desinformação, por exemplo sumiu do texto. Uma das versões (já modificada) o
substituía por “comportamento inautêntico”, seja lá o que for isso. E, no
momento em eu escrevo, pois a votação feste foi adiada para mais discussões, não
há qualquer definição do que seja desinformação, fake News ou o tal conteúdo
inautêntico.
No cabo de guerra, o governo e
algumas empresas de comunicação (beneficiadas em razão da lei não se aplicar a
elas) dizem que provedores de conteúdo e mensageria privada estão disseminando
um terror injustificado e extremista contra a futura lei. Já os provedores
alegam que a falta de clareza de alguns pontos e certas posturas esperadas
destes podem acabar por criar mais desinformação e confusão do que já existem.
Fico com esses últimos, por
enquanto, até porque, em um aceno possível as hipóteses de censura que circulam
pela rede digital, o STF determinou que os provedores retirassem de seus
portais as informações com as impressões destes sobre o projeto de lei.
Opiniões que de forma bastante equilibradas traziam questionamentos sobre o projeto,
que, sejamos sinceros, foi pouquíssimo discutido com a sociedade e os usuários das
diversas mídias sociais.
Como dito acima, a necessidade de
uma lei para regulamentar as vias digitais, apontando responsabilidade e comportamentos,
visando transparência e maior proteção contra conteúdos nocivos é algo
imperioso, porém para que seja eficaz tem que ser clara e objetiva no que se
propõe, tem que ser discutida em relação a tecnicidade, a constitucionalidade,
a exequibilidade e a um equilíbrio que mantenha o sistema social funcionando de
maneira ordeira e sem sobressaltos desnecessários. E não pode ser uma colcha de
retalhos que misture direitos autorais, relações comerciais e outros
penduricalhos.
As leis não existem em razão
desse ou daquele comportamento pontual, mas precisam atender a demanda de toda
a sociedade organizada. Para que certos mecanismos de controle tenham eficácia
é preciso que se conheça a fundo o objeto de controle, de modo a prevenir
abusos ou excessos de facilidades. Claro que os provedores de mídia social
precisam assumir responsabilidade por conteúdos não moderados e nocivos em suas
plataformas, não podemos admitir mais que grupos extremistas, preconceituosos,
nazistas, pedófilos, etc. se perpetuem de modo a influenciar crianças, adolescentes
ou quem quer que seja à prática de atos criminosos ou perigosos.
Lembro o recente bloqueio do Telegram acusado de não fornecer dados sobre investigações policiais a respeito de grupos neonazistas, dados que segundo a empresa seriam impossíveis de serem entregues devido a limitações técnicas. Não vou discutir o fato em si, mas lembro que o Telegram era um mensageiro quase desconhecido há alguns anos aqui no Brasil, mas ganhou força justamente após bloqueios seguidos do WhatsApp, por motivos semelhantes. Ou seja, os usuários simplesmente foram buscar uma alternativa e será sempre assim. Portanto, não basta apenas bloquear essa ou aquela aplicação, é preciso investir seriamente em tecnologia de infiltração, em educação digital e social, criar mecanismos de inclusão e ferramentas de investigação eficazes. Como tudo isso interessa diretamente ao consumidor usuário das diversas redes sociais que operam na internet, não é cabível que um Projeto de Lei seja votado e aprovado sem uma ampla discussão que envolva a sociedade.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Querem estabelecer cotas na TV
A violência contra a mulher crescia assustadoramente, criaram uma lei específica que pune com mais rigor o cara que bate na esposa, com delegacias especializadas, atendimento diferenciado, etc. Não deu certo, que fazem então? Criam uma nova lei, mais rígida e com mais proteções, colocam o nome de uma vítima (que durante anos sofreu pela ineficiência do Estado em protegê-la - e a todos os cidadãos) e comemoram como se isso fosse um verdadeiro avanço em direção ao primeiro mundo. Podiam bem ter investido em educação e no efetivo cumprimento da legislação "normal", até porque a Constituição não admite que as pessoas sejam tratadas de modo distinto ao "todos são iguais perante a Lei..."
Descobrem que a maioria negra do país dificilmente consegue chegar a concluir o 2º Grau, quanto mais chegar a Universidade, que fazem? Jogam de lado o fato dessa enorme população que não consegue estudar não é ser formada de negros, mas de pobres e criam cotas universitárias, assim resolvem o "problema imediato", ganham pontos junto à população e continuam não investindo o suficiente na educação básica, para que os pobres possam efetivamente ter as mesmas chances do mais dotados fincanceiramente, sejam eles negros, pardos ou brancos.
Mais exemplos? Não conseguem evitar a entrada de celulares em presídios, então colocam bloqueadores caríssimos e ineficazes nas redondezas - Não conseguem efetuar um planejamento para a saúde, culpam a falta de recursos e prorrogam indefinidamente uma "contribuição" obrigatória.
Agora querem obrigar as TVs, estabelecendo cotas de modo que 50% da programação dos canais por assinatura seja obrigatoriamente nacional. Isso mesmo, essa é a proposta de emenda do Putado Jorge Bittar (PT-RJ) - Já que a produtoras nacionais "são incompetentes para serem queridas pelo povo, vamos obrigá-los..." - Como se elas precisassem disso; nossos programas são suficientemente bem produzidos para que conquistem seu espaço sozinhas. Eu quero ter a liberdade de poder escolher meus canais e vê-los (inclusive os muitos nacionais de excelente padrão) sem ser obrigado a engolir qualquer coisa só porque é nacional.
Lembram-se da época em que o cinema pornô nacional deslanchou? Incentivo de cotas do governo, era fácil, barato e subsidiado... Conteúdo? A Alcione Mazzeo peladona na tela de TV.
Se você também é contra essas idiotices deputadas, clique AQUI e proteste.
quarta-feira, abril 25, 2007
Sexo
Estávamos, eu e um amigo, conversando, quando o assunto enveredou por assuntos sexuais, falamos de alguns outros amigos que parecem ter uma conduta, infelizmente comum, de achar que o sexo é algo como um prêmio de uma caçada em que o número de vitórias conquistadas é a única coisa que importa e a parceira apenas o vetor para que se chegue ao tal prêmio; um objeto para um fim. Postura que atualmente também se estende às mulheres e aos jovens traduzida num verbo: FICAR!
Sexo não é isso. Sexo como eu vejo, requer envolvimento, paixão; e a gente só se apaixona por aquilo que conhecemos, por aquilo em que nos envolvemos de verdade, senão é apenas momento fugidio que desvanecerá com o tempo e se apagará do rio de nossas memórias.
Não quero levantar falsos moralismos. Por isso mesmo afirmo logo que SIM. É perfeitamente possível haver sexo sem que haja amor, este não é requisito essencial para que o sexo aconteça de uma forma devastadora, apaixonante e inesquecível. A paixão sim; essa é indispensável mas, como já disse, para se estar apaixonado é necessário que se conheça aquela pessoa com que se vai para a cama, sem conhecimento e paixão, existe apenas uma troca de fluidos e isso não é sexo.
Sexo é algo quase mágico, que nos acelera de 0 a 100 em milésimos de segundo, que nos envolve o corpo inteiro e quando acaba nos deixa aquela sensação de perda e de ganho, uma sensação que não pode ser descrita, pois tem que ser experimentada. Sexo exige dedicação ao outro, exige que se descubra o corpo do outro, que se explore e se aventure a cada encontro, mas isso só pode ocorrer se houver cumplicidade, outra coisa que também é indispensável no sexo e mais uma prova de que "ficar" não é sexo de verdade, pois para haver cumplicidade é preciso haver conhecimento, troca, carinho, segredos que só os dois dividem.
Sexo é, talvez, o maior presente que recebemos da natureza e não basta juntar dois corpos numa cama e friccionar os órgãos sexuais, isso qualquer animal faz. Para que exista sexo de verdade a união deve começar na mente, se desenhar nos olhos, ir se esculpindo em cada gesto, tomando forma em cada beijo, em cada toque mais, ou menos íntimo.
Sexo necessita de tempo, de antes e de depois; carece de pequenos gestos, de mordidas secretas, de beijos roubados nas horas mais inoportunas, de pequenas loucuras cometidas no dia-a-dia. Sexo requer paciência e impulsividade para conhecer e provocar, para realizar a mágica de tornar-se um só corpo, unido não pelas partes sexuais, mas unido por cada centímetro de pele e de pensamento, por cada gota de suor e saliva, por cada som grunido, gritado ou sussurrado durante a dança.
Já disse que Amor não é essencial ao sexo, a Paixão sim, gostar de verdade do outro, querer estar ao lado e sentir falta quando este se afasta. MAS se existe amor, Ah! e se então nesse amor existir paixão...Sex Você chega ao Paraíso a cada encontro, em cada movimento da dança que os corpos bailam, a cada olhar inflamado com a essência do outro, a cada êxtase que se desprende e preenche o ar...
Ficar? Isso é coisa de quem ainda não aprendeu que Sexo não é pra qualquer um. Sexo é pra quem se apaixona.
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sábado, novembro 18, 2006
Internet, liberdade e controle
Por Kiko Moreira.
A internet nasceu sob a tutela dos militares, mas só se popularizou a partir do momento em que se tornou um território livre, onde todos poderiam interagir independentemente de fronteiras ou da distância que os separavam. Rapidamente a internet se transformou num fórum onde qualquer um poderia divulgar suas idéias, expor seus trabalhos e vender seus produtos de modo que a palavra “globalização” deixou de ser um ideal neo-liberalista e tornou-se real, com ações e conseqüências que vão muito além do mundo virtual. Aí começaram os problemas.
A liberdade exercida pelo anonimato da rede e a dificuldade em diferenciar o que é falso ou verdadeiro criou a necessidade do policiamento, provando mais uma vez que a utopia anarquista de que cada um se auto-governe é só isso, uma utopia; não pode existir sociedade, seja ela real ou forjada em comunidades virtuais que prescinda de um instrumento de controle e punição para aqueles que fogem às regras estabelecidas.
O conceito de que “meu direito termina onde começa o do outro” é bonito e essencial para que haja relacionamentos, mas muito pouco empregado na vida de verdade, pois somos, apesar de toda a “civilização” que apregoamos, seres que estão intimamente determinados pelos instintos de sobrevivência, que gritam sem parar “o meu primeiro”.
A liberdade para ser completa deve ser permanentemente responsável, devemos constantemente estar lutando contra nosso instinto interior de autopreservação, pois só assim poderemos respeitar plenamente o direito alheio, vida em comunidade é isso: Dar a vida (ou um pouco dela ao menos) para que toda a comunidade possa viver de forma plena e em harmonia.
Se não começarmos a tentar viver dessa maneira, pode não nos restar outra alternativa a não ser aquela prevista há décadas por todo escritor de ficção que se preze, o controle total de todos os nossos passos através de máquinas e organismos governamentais, que nos vigiarão dia e noite, incessantemente à procura de “falhas do sistema”. Oxalá que aprendamos as lições daquele barbudo, não, não é o Lula. Aquele que disse “Faça aos outros somente aquilo que desejarias que também lhe fizessem”.
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