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segunda-feira, junho 23, 2025

Revista KIKOSOFIA Nº 32 - Junho 2025


junho 2025 - Baixe a sua AQUI ou leia online AQUI

Neste número: Um conto de Virgínia Woolf; Entre bonecas de silicone e crianças digitais, A tradição das festa juninas, Obediência e resignação, O valor que o peido tem, Karl Landsteiner e os mistérios do sangue, A liberdade de poder pensar, A real abolição moral, Poemas, Dicas de Quadrinhos, Cinema, Livros  etc.
Liberdade de expressão, Tiananmen, Um inimigo do povo, Todos os homens do presidente, Infiltrado na Khan, Um teto todo seu.

 

quarta-feira, junho 27, 2007

São João passou por aqui?



O São João passou e já já chega o São Pedro, festas que, aqui no nordeste, costumam ser bastante concorridas e animadas, cuja tradição de alegria e espírito comunitário sempre foram marcantes nas pequenas cidades, fazendo com que boa parte da população se juntasse para enfeitar ruas, fazer fogueiras (hoje em dia isso é tão anti-ecológico), comer canjica e tomar licor ao som de uma sanfona bem tocada, dançando forró agarradinho pra esquentar o frio; quadrilhas (não as que estamos vendo na TV, no Congresso, Nas bocas de tráfico) alegravam a noite com seus passos ensaiados exaustivamente, cada uma querendo se apresentar melhor que a outra, cada uma mais colorida, transformando a noite num mosaico de cores aberrante.



Havia toda uma correria da moças e, por que não, dos rapazes, para fazer a simpatia que lhes diria com quem iriam se casar, papeis enrolados na bacia d'àgua, facas nas bananeiras, santo Antonio pendurado de cabeça pra baixo e outras tantas coisas, que se não acertavam em cheio, ao menos faziam a alegria momentânea da garotada e criavam sonhos deliciosos.


cadê o forró?

Mas em determinado momento a mídia descobriu o forró e o trasformou em show apoteótico, grupos com dançarinas semi-nuas passaram a ser a atração, cantores que sequer sabiam o que era uma sanfona passaram a fazer sucesso como "reis do forró", os passos gostosos deram lugar a acrobacias e remelexos sem nexo algum com a festa, a sensualidade deu espaço à sexualidade e o ritmo acabou contaminado por arranjos destoantes: O forró virou eletrônico. Guitarras, baterias e teclados tomaram o lugar da sanfona, do triagulo e da zabumba...


Ninguem mais sai de porta em porta perguntando "São João passou por aqui???", perferem se aglomerar em redor de um palco, sem dançar agarradinho, gritando histericamente, sem calor ou simpatia... Um bando de autômatos seguindo o ritmo de um forró sem sanfona, um são João sem quadrilha, sem virar "cumpadre" pulando fogueira. Um São João Show, mas sem alegria.